• Kátia Boroni

Entendendo a Mente Noturna das corujas

Atualizado: Nov 9


Resenha do livro Mente Nocturna - Estudio del comportamento de las rapaces nocturnas em cautividad y guia especializada de adiestramiento.

Autora: Anna Sanchez. Por: Kátia Boroni.

Publicado originalmente em Novembro 2017


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“La noche se está muriendo, y con ella, mi seguridad...”


É com muita sensibilidade e delicadeza que Anna Sanchez começa seu livro dedicado às aves de rapina noturnas, ou seja, as corujas. Poderosas donas da noite são por muitas vezes mal compreendidas por aqueles que as decidem treinar e voar. Chamadas por muitos de burras, teimosas, ou até mesmo classificadas como impossíveis de treinamento, Ana descontrói tudo o que você imagina que sabe sobre essas criaturas formidáveis.


Ao contrário das abordagens com as quais tive contato em três anos dedicados ao jornalismo especializado em aves de rapina, inúmeras leituras, resenhas e entrevistas, inclusive com falcoeiros que tem experiência com corujas, Anna Sanchez vai além de tudo o que já li. Uma falcoeira que antes partilhava do senso comum (extremamente negativo) que se tem das corujas em termos de treinamento, após se deparar com uma coruja bufo-real cujos olhos estavam mortos e sem brilho, decide resgatar a alma deste ser e a partir daí surge uma paixão que muda a sua vida e faz com que ela hoje se dedique exclusivamente às corujas.


Seu livro começa com dois capítulos que podem ser classificados como, no mínimo, curiosos. Uma narrativa em primeira pessoa, cujo narrador é na verdade um macho de coruja bufo-real (Bubo bubo), a maior e mais poderosa das corujas europeias. Estes capítulos contam um pouco de sua vida, até um dia em que sua vida mudará totalmente e para sempre.


Porém, como leitora rebelde, saltei estes dois capítulos e fui direto à parte prática, como imagino que muitos leitores fariam. E fiquei chocada com a capacidade de compreensão que Anna Sanchez tem das noturnas, como ela lê o comportamento das corujas e se comunica com elas de uma maneira que eu nunca havia visto antes. Ela recupera corujas que passaram por treinamentos equivocados, e inclusive faz o impensável, consegue treinar corujas criadas pelos pais, ou seja, selvagens, e as tornam desejosas do contato humano. Suas técnicas, que diferem um pouco das tradicionais técnicas utilizadas pela falcoaria, levam em consideração a inteligência das corujas, mas especialmente suas características únicas como seu temperamento e biologia. A autora aponta que o maior erro cometido no treinamento das corujas é treiná-las exatamente como se treinam aves de rapina diurnas, sendo que na verdade a redução de peso só as ensinam a nos odiar com o tempo:


“Não quer dizer que não sinta fome, só quer dizer que seu instinto não se colocará em alarme em três ou quatro dias, e sim após algumas semanas, quando já terá aprendido a nos odiar.” (p.114)


Ao terminar a leitura dos capítulos três a onze, voltei curiosa aos dois primeiros, para ler a narrativa do poderoso macho de bufo-real, e minha surpresa não poderia ser maior. Minha visão havia mudado radicalmente, ao ler o relato desta coruja em sua vida cotidiana eu relacionava os fatos com as técnicas de treinamento que Ana sugere, eu lembrava de como ela explicava sobre a biologia das corujas, e eu fiquei surpresa. Mas quando a coruja em questão passa por uma reabilitação e é narrado o seu treinamento eu entrei em pânico, quase gritava, ”por favor, não faça isso!”. Eu já sabia que não ia funcionar o que ele estava fazendo, e ao mesmo tempo sentia a tristeza daquela coruja e me compadecia porque o homem que a treinava era bom e tinha excelentes intenções, só a queria ajudar, mas sem conhecimentos suficientes só a deixava cada vez pior. Fiquei presa aquela narrativa, sem conseguir tirar os olhos das páginas, lendo vorazmente para saber quando aquela coruja seria encaminhada a alguém que a treinaria adequadamente. E então esse dia chega, e essa coruja, que não sobreviveria mais em vida livre por conta de um ferimento sofrido por descarga elétrica, é encaminhada a um centro especializado e lá passa a ser treinada e tratada de acordo com suas particularidades de coruja. E no final, aquela coruja selvagem que odiava os seres humanos, termina o seu relato com uma frase que me levou às lágrimas:


“A noite está morrendo, e com ela minha segurança...

Mas desta vez, eu tenho um aliado...”


Anna Sanchez escreveu seu livro para outra realidade, cita espécies as quais não vivem no Brasil e tampouco são espécies disponíveis para compra nos criatórios legalizados. Ela ensina como caçar com corujas, ato que no Brasil é considerado crime ambiental. Então porque deveríamos ler o seu livro, visto que ela o escreve dentro da realidade Espanhola, onde a falcoaria como arte é permitida pela lei? E eu explico: porque ela ensina a compreender a mente das corujas, a compreender o seu comportamento diário, e como devemos agir em relação a elas. Acima de tudo ela nos faz amar cada vez mais as rainhas da noite, a admirá-las e ter a certeza de que sua inteligência só não é maior do que a sua importância no equilíbrio ecológico. Eu sempre defendo que “Nós só amamos o que conhecemos, e só protegemos o que amamos”, então quanto mais nós formos capazes de compreender estas aves magníficas, mais teremos a consciência da necessidade de protegê-las em habitat natural, de mudar nossos hábitos como abolir o uso de veneno de roedores, plantar mais árvores, passar adiante o que aprendemos sobre a importância que elas tem no controle biológico natural, desmistificar lendas que as veem como mau agouro, entre muitos outros pontos. Espero que ao terminarem de ler o livro de Anna Sanchez, independente do contato que tenham com as corujas, se tornem mais um aliado delas, seja durante o dia ou a noite.


Leia também a entrevista de Anna Sanchéz aqui

Compre o livro aqui.





Review of the book Nocturnal mind: Study of the behavior of nocturnal predators in captivity and specialized training guide. Author: Anna Sanchez. By: Kátia Boroni.


"The night is dying, and with it my safety ..." It is with great sensitivity and delicacy that Anna Sanchez begins her book dedicated to the nocturnal birds of prey, in other words, the owls. Owls are powerful owners of the night, and are often misunderstood by those who decide to train and fly them. Called by many people as dumb, stubborn, or even classified as impossible to train, Ana disrupts everything you imagine you know about these formidable creatures.


Unlike the approaches I've been in touch to in three years dedicated to writing about birds of prey as a journalist, with numerous readings, reviews and interviews, including with falconers who have experience with owls, Ana Sanchez goes beyond everything I've ever read. A falconer who once shared the (extremely negative) common sense of the owls in terms of training, after meeting an Eurasian Eagle owl (Bubo bubo) whose eyes were dead and dull, decides to rescue the soul of this being and from there arises a passion that changes her life, and because of this now she dedicates herself exclusively to owls.


Her book begins with two chapters that can be classified as, at the least, curious. A first-person narrative, whose narrator is actually a male Eurasian eagle owl (Bubo bubo), the largest and most powerful of the European owls. These chapters tell a little of its daily life, until one day when its life changes completely and forever.


Nevertheless, as I´m a rebel reader, I skipped these two chapters and went straight to the practical part, as I imagine many readers would do, too. And I was shocked by Ana Sanchez's capacity of understanding the owls, how she reads the behavior of the owls and communicates with them in ways I have never seen before. She recovers owls that have gone through misguided training, and she even does the unthinkable, she can train owls raised by their parents, that is, wild ones, and make them desirous of human contact. Her techniques, that differ a little from the traditional techniques used by falconry, take into account the intelligence of owls, but especially their unique characteristics like their temperament and biology. She points out that the biggest mistake made in owls´ training is to train owls exactly as you train the diurnal birds of prey, and in fact that weight reduction only teach them to hate us over time:


"It does not mean that it does not feel hungry, it only means that its instinct will not be put on alarm in three or four days, but after a few weeks, when it has already learned to hate us." (P.114)


As I finished reading chapters three through eleven, I returned curiously to the first two ones, to read the narrative of the mighty eagle owl, and my surprise could not be greater. My vision had changed radically, as I read the narrative of this owl in his daily life I related the facts with the training techniques Ana suggests, I remembered how she explained about the biology of owls, and I was surprised. But when the owl in question goes through a rehabilitation process and it´s narrated its training I panicked, almost shouted "please do not do this!.” I already knew that it wouldn´t work what he was doing, and at the same time I felt the sadness of that owl, and I got sad because the man who was training it was a good one and had excellent intentions, he just wanted to help the owl, but without enough knowledge he only made the owl get worse and worse. I got stuck in that narrative, unable to take my eyes off the pages, reading voraciously to know when that owl would be taken to someone who would properly train it. And then that day arrives and this owl, that can´t be released again in nature due to a permanent injury caused by an electric discharge, is taken to a specialized center and there it is trained and treated according to its owl particularities. And in the end, that wild owl that hated humans, ends its story with a phrase that brought me to tears:


"The night is dying, and with it my safety ...

But this time, I have an ally... "


Anna Sanchez wrote her book for another reality, she refers to species that do not live in Brazil, nor are species available for purchase in legalized breeding centers. It teaches how to hunt with owls, an act that in Brazil is considered an environmental crime. So why should we read her book, since she writes it within Spanish reality, where falconry as art is allowed by law? And I explain: Because she teaches us to understand the owls' mind, to understand their daily behavior and how we should act in relation to them. Above all, she makes us love the queens of the night more and more, to admire them and to realize that their intelligence is just not only greater than its importance in the ecological balance.


I always say that "We only love what we know, and we only protect what we love," the more we are able to understand these magnificent birds, the more we will be aware of the need to protect them in natural habitat, to change our habits as to abolish the use of poison for rodents, plant more trees, pass on what we learn about their importance in natural fauna control, demystify urban legends that see them as a bad omen, among many other points.


I hope that when you finish reading Anna Sanchez's book, regardless of your contact with owls, you become one more ally of them, either during the day or night.


Read her interview here

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Reseña de Mente Nocturna - Estudio del comportamiento de las rapaces nocturnas en cautividad y guía especializada de adiestramiento. Autora: Ana Sanchéz. Por: Kátia Boroni.

"La noche se está muriendo, y con ella, mi seguridad ..."

Es con mucha sensibilidad y delicadeza que Ana Sánchez comienza su libro dedicado a las aves de rapiña nocturnas, o sea, a los búhos. Poderosas dueñas de la noche, a menudo mal comprendidas por aquellos que las deciden entrenar y volar. Llamadas por muchos de torpes, terquísimas, o incluso clasificadas como imposibles de entrenamiento, Anna disuelve todo lo que usted imagina que sabe sobre esas criaturas formidables.


A diferencia de los abordajes con los que he tenido contacto en tres años dedicados al periodismo especializado en cetrería, innumerables lecturas, reseñas y entrevistas, incluso con cetreros que tienen experiencia con búhos, Anna Sanchez va más allá de todo lo que ya he leído. Una cetrera que antes compartía el sentido común (extremadamente negativo) que se tiene de los búhos en términos de entrenamiento, ella después de encontrarse con un búho real (Bubo bubo) cuyos ojos estaban muertos y sin brillo, decide rescatar el alma de este ser, y a partir de ahí surge una pasión que cambia su vida y que hizo con que ella hoy se dedique exclusivamente a los búhos.


Su libro comienza con dos capítulos que se pueden clasificar como, por lo menos, curiosos. Una narrativa en primera persona, cuyo narrador es en verdad un macho de búho real (Bubo bubo), el mayor y más poderoso de los búhos europeos. Estos capítulos cuentan un poco de su vida, hasta un día en que su vida cambia totalmente y para siempre.


Pero, como lectora rebelde, salté estos dos capítulos y fui directo a la parte práctica, como me imagino que muchos lectores harían también. Y me sorprendió la capacidad de comprensión que Ana Sanchéz tiene de las nocturnas, como ella lee el comportamiento de los búhos y se comunica con ellos de una manera que nunca antes había visto. Ella recupera búhos que pasaron por entrenamientos equivocados, e incluso hace lo impensable, consigue entrenar búhos creados por los padres, o sea, salvajes, y los hacen deseosos por el contacto humano. Sus técnicas, que difieren un poco de las tradicionales técnicas utilizadas por la cetrería, consideran la inteligencia de los búhos, pero especialmente sus características únicas como su temperamento y biología. Demuestra que el mayor error cometido es entrenar a los búhos exactamente como se entrenan las aves de presa diurnas, siendo que en realidad la reducción de peso sólo los enseñan a odiarnos con el tiempo:


"No quiere decir que no siente hambre, sólo quiere decir que su instinto no se colocará en alarma en tres o cuatro días, sino después de unas semanas, cuando ya habrá aprendido a odiarnos." (P.114)


Al terminar la lectura de los capítulos tres a once, volví curiosa a los dos primeros, para leer la narrativa del poderoso macho de búho real, y mi sorpresa no podría ser mayor. Mi visión había cambiado radicalmente, al leer el relato de este búho en su vida cotidiana yo relacionaba los hechos con las técnicas de entrenamiento que Ana sugiere, yo recordaba cómo ella explicaba la biología de los búhos, me sorprendí. Pero cuando el búho en cuestión pasa por un proceso de rehabilitación y se lo relata cómo es hecho yo me volví loca, casi gritaba “por favor, no haga eso!”. Yo ya sabía que lo que él hacía no funcionaría, y al mismo tiempo sentía la tristeza del búho y me compadecía porque el hombre que lo entrenaba era bueno y tenía excelentes intenciones, pero sin conocimientos suficientes sólo lo dejaba peor y peor.


Me quedé presa aquella narrativa, sin conseguir sacar los ojos de las páginas, leyendo vorazmente para saber cuándo aquel búho sería encaminado a alguien que lo entrenaría adecuadamente. Y entonces ese día llega, y ese búho que no puede más sobrevivir en vida libre debida a una lesión permanente sufrida por descarga eléctrica es encaminado a un centro especializado, y allí pasa a ser entrenado y tratado de acuerdo con sus particularidades de búho. Y al final, aquel búho salvaje que odiaba a los seres humanos, termina su relato con una frase que me llevó a las lágrimas: "La noche se está muriendo, y con ella mi seguridad... Pero esta vez, tengo un aliado... "


Anna Sanchez escribió su libro para otra realidad, cita especies a las que no viven en Brasil y tampoco son especies disponibles para compra en los centros de cría legalizados. Ella enseña cómo cazar con búhos, acto que en Brasil es considerado un crimen ambiental. ¿Entonces por qué deberíamos leer su libro, ya que ella lo escribe dentro de la realidad española, donde la cetrería como arte está permitida por la ley? Y yo explico: Porque ella enseña a comprender la mente de los búhos, a comprender su comportamiento diario y cómo debemos actuar en relación a ellos. Y lo más importante: ella nos hace amar cada vez más a las reinas de la noche, a admirarlas y tener la certeza de que su inteligencia sólo no es mayor que su importancia en el equilibrio ecológico.


Yo siempre defiendo que "Sólo amamos lo que conocemos, y sólo protegemos lo que amamos", entonces cuanto más podamos comprender estas aves magníficas, más tendremos la conciencia de la necesidad de protegerlas en su hábitat natural, de cambiar nuestros hábitos como abolir el uso de veneno de roedores, plantar más árboles, pasar adelante lo que aprendemos sobre la importancia que tienen en el control biológico natural, desmitificar leyendas urbanas que las ven como mal agüero, entre muchos otros puntos. Espero que al terminar de leer el libro de Anna Sanchez, independientemente del contacto que tengan ustedes con los búhos, se vuelvan más un aliado de ellos, sea durante el día o la noche. KB.


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