• Kátia Boroni

A lenda da Suindara

Atualizado: Out 20


Hoje começamos a aprender mais sobre as corujas de igreja (tyto furcata) com a bióloga e amiga Mariana Aprile Pallinger. Muito obrigada pelo seu texto, e aguardamos ansiosos pelos próximos!

Boa leitura a todos!

Kátia Boroni.


A lenda da Suindara

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As corujas, de modo geral, são cercadas por lendas e superstições que existem desde o Egito antigo e que também fazem parte da mitologia grega. O caso da Suindara (Tyto furcata) não é diferente, e, pelo fato do presente texto ser sobre ela, a história que merece destaque é a da origem do nome Suindara.

De acordo com o folclore das regiões Norte e Nordeste do Brasil, Suindara foi uma carpideira, ou seja, uma mulher de seus 35 anos que trabalhava chorando nos funerais de sua cidade. Reza a lenda que Suindara e o filho de uma senhora rica, se apaixonaram e viveram um romance secreto. Porém quando a mãe do rapaz descobriu o caso de amor de seu filho, armou uma cilada e mandou matar a moça.


Suindara, que era de pele branca e corpo "gordinho" foi enterrada em uma bela cripta e, em sua homenagem, o povo colocou uma estátua de uma coruja branca. O pai de Suindara, por sua vez, era considerado um "bruxo" e após descobrir a responsável pela morte de sua filha, fez um encantamento no qual o espírito de sua filha entrou na estátua da coruja, a qual criou vida e voou para o teto da casa da senhora rica. Em cima do telhado, então, a coruja que levava o espírito de Suindara cantou três vezes e, na manhã seguinte, a senhora estava morta com suas vestes rasgadas.

Por conta dessa lenda, espécie Tyto furcata é conhecida popularmente como "Suindara" e "Rasga Mortalha" e, é vista como animal que simboliza a má sorte. Muitas pessoas juram que quando ela pousa no telhado de alguém e vocaliza, um morador daquela residência irá morrer. Em outras regiões, "rasga mortalha" é o nome que se dá a essa coruja, por conta de sua vocalização peculiar.

Apesar da história de Suindara ser fantasiosa, essa ave é, muitas vezes, perseguida e morta por pessoas que consideram essa lenda como fato verídico. Essa coruja também é conhecida como Coruja das Torres e Coruja de Igreja, porque é comum que ela habite torres antigas de igrejas e construções abandonadas.

Quando a Verdade é mais incrível que a Lenda

Na realidade, a suindara é apenas uma ave de rapina noturna, que possui adaptações incríveis, adequadas ao seu tipo de vida. Da pontinha das penas até os órgãos mais internos, existem estruturas que possibilitam à coruja das torres ser o animal terrestre com uma das melhores audições entre os animais terrestres do planeta, de vôo mais silencioso e, como resultado, uma predadora muito eficaz.

Audição

O sistema auditivo das suindaras é tão desenvolvido, que ela é capaz de caçar um camundongo em movimento na mais completa escuridão ─ esse fato dá origem à outra crendice errônea: a de que as corujas são capazes de enxergar no escuro. Mas como isso é possível?

Em primeiro lugar o rosto dessas corujas (chamado de disco facial) é arquitetado para captar ondas sonoras e é recoberto de penas especiais que direcionam os sons para seus ouvidos. São basicamente 3 tipos de penas, conforme a ilustração abaixo:


1- Pena de contorno. Essas penas preenchem a cabeça e a maior parte do corpo. Não possui especialização; 2 - pena auricular: preenche o disco facial, possui ramificações reduzidas e é permeável ao som; 3 - penas refletoras: presentes em todo o contorno do disco facial, essas penas direcionam os sons para os ouvidos. (Fonte: von Campenhausen & Wagner 2006).

Os ouvidos das suindaras (bem como de outras corujas noturnas), por sua vez, são assimétricos: o esquerdo é mais alto e tem a cavidade levemente voltada para cima, enquanto que o direito fica mais abaixo, com a cavidade levemente voltada para baixo. Dessa maneira, o ouvido esquerdo capta primeiro, os sons que vem de cima e o direito os sons que vem debaixo. Leva bem menos de meio segundo para o som que chega a um ouvido ser captado pelo outro -- mas isso é tempo suficiente para a Tyto furcata saber para onde deve virar a cabeça em direção à fonte sonora. As penas que dividem o rosto ao meio, também ajudam no direcionamento do som. Tudo isso, aliado ao fato do bico das Tytos ser voltado para baixo, potencializa a captação de sons.


Crânio de Aegolius funereus, no qual fica evidente a mesma assimetria entre as cavidades auditivas, presentes na suindara. (Fonte:Norberg, 2002).

Outra coisa importante relacionada à audição das suindaras é o arranjo do sistema nervoso, que faz com que seu processamento auditivo seja 10 vezes superior ao do humano: por analogia, se nossa audição é capaz de captar um som, a suindara é capaz de identificar 10 outros dentro dele, e focar numa freqüência específica. O cérebro das suindaras também armazena a localização específica de um som. Desse modo, essas corujas criam um mapa sonoro mental de tudo o que as cerca e, se lembra do local onde escutou algo de seu interesse.

A audição das suindaras é tão interessante e perfeita, que serve de modelo de estudo para pesquisas relacionadas a distúrbios de processamento auditivo humano. Isso quer dizer que cientistas buscam respostas para esse problema, em humanos, nas suindaras.

Mestres do Vôo Silencioso

A capacidade de voar sem produzir ruídos, é essencial para quem depende da audição para localizar sua caça e, são duas as razões:

Primeiro, não existem ruídos produzidos pelo vôo que possam interferir no foco de um som específico, no caso das suindaras, algum roedor sob a serrapilheira. E segundo, sua presa é capturada sem escutar a aproximação de seu predador, ou seja, o silêncio garante o "elemento surpresa". A capacidade de ser um mestre do vôo silencioso, relaciona-se diretamente com as penas da coruja: são especialmente macias, e, no caso das penas de vôo, contornadas por bárbulas que dão um aspecto de "franjinhas". Essas características, aliadas ao fato das suindaras apresentarem maior número de penas do que uma ave de mesmo tamanho, diminuem o atrito com o ar e, assim, garantem o vôo silencioso.


Bárbulas que contornam as penas de vôo das suindaras. Fonte: The Barn Owl Trust (http://www.barnowltrust.org.uk/barn-owl-facts/barn-owl-adaptations/)

Visão


As suindaras, assim como todas as corujas, possuem grandes globos oculares, que são imóveis -- devido ao seu formato tubular e ao tamanho. Mas isso não é um problema para as corujas, pois essas aves são capazes de girar suas cabeças a 270° e, por isso, conseguem olhar em todas as direções.

Diversos estudos sobre a capacidade visual das suindaras, bem como de outras corujas noturnas, revelam que à luz do dia, humanos e outros animais como gaviões, falcões, etc. enxergam muito melhor do que as corujas, em termos de foco, contraste e cores. Mas quando mudamos o cenário para o escuro, as corujas enxergam um pouco melhor do que os gatos, o que é bastante. Essas aves são capazes de identificar movimento, por meio de contrastes de claro e escuro, apenas com a luz da Lua -- coisa que nós, humanos, e muitos animais diurnos não são capazes de fazer. Contudo, as corujas da espécie suindara não enxergam cores.

Nesse primeiro texto, a intenção maior foi a de desmistificar a imagem da suindara. Mas há muitas coisas interessantes sobre elas, que literalmente dariam um livro! Seu comportamento, sua inteligência lógica e emocional -- sim, elas possuem essas coisas. Mas esses assuntos ficarão para os próximos artigos, que, espero poder escrevê-los em breve! Abraços, Mari Aprile.


Mariana Aprile Pallinger é bióloga, especialista em comportamento animal e Interação Animal Assistida. Há 8 anos estuda a Arte da Falcoaria, tendo como seu mestre, Frederick Pallinger, seu marido.

Contato: mariana.aprilebitt@gmail.com

English text

The legend of Suindara (Barn Owl)

Owls, generally, are surrounded by legends and superstitions that have been around since ancient Egypt, and which are also part of Greek mythology. The case of the Barn Owl (Tyto furcata) is no different and, because of this text is about it, the story worth mentioning is the origin of its popular name in Brazil: Suindara.

According to the folklore of North and Northeast of Brazil, Suindara was one mourner, a woman of 35 years who worked crying at funerals of her city. The legend says that Suindara and the son of a wealthy lady fell in love and had a secret romance. But when the boy's mother discovered her son´s love affair, she set a trap and hired a person to kill the woman. Suindara, which had white skin and a "chubby" body was buried in a beautiful crypt, and in her honor people placed a statue of a white owl. Suindara´s father, in turn, was considered a "wizard" and after finding out the responsible for the death of her daughter, he casted a spell in which the spirit of his daughter entered the statue of the owl, which created life and flew to the roof of the rich lady´s house. Up on the roof the owl that was carrying the spirit of Suindara sang three times, and the next morning, the lady was dead with her clothes torn.

Because of this legend, the species Tyto furcata is popularly known as "Suindara" and "Rasga Mortalha" and is seen as an animal that symbolizes bad luck. Many people swear that when it lands on someone's roof and vocalizes, a resident of that house will die. In other regions, "Rasga Mortalha" is the name given to this owl, because of its peculiar vocalization.

Despite the history of Barn Owl being fanciful, this bird is often persecuted and killed by people who consider this legend as a true fact. This owl is also known as “Coruja das torres (Towers owl)” and “coruja de igreja” (Church Owl), because it often lives in ancient towers of churches and abandoned buildings.

When the truth is more incredible than the Legend

In fact, the barn owl is just a nocturnal bird of prey, which has amazing adaptations appropriate to its kind of life. From the tip of its feathers to the most internal organs, there are structures that enable the barn owl being the terrestrial animal with one of the best auditions among land animals on the planet, with the most silent flight and as a result, a very effective predator.

Hearing

The hearing system of the barn owl is so developed that it is able to hunt a moving mouse in complete darkness ─ this fact gives rise to another mistaken superstition: that the owls are able to see in the dark. But how is this possible?

First the face of these owls (called facial disk) is engineered to capture sound waves and is covered with special feathers that direct the sound to its ears. There are basically three types of feathers, as shown below:


1 contour feathers. These feathers fill the head and most of the body. They don´t have expertise; 2 – hearing feathers: fill the facial disk, have small branches and are permeable to sound; 3 - reflective feathers: present throughout the contour of the facial disc, these feathers direct the sound to the ears. (Source: von Campenhausen & Wagner 2006).

The ears of the barn owl (as well as other night owls), in turn, are asymmetrical: the left is higher and the cavity is slightly turned upward, while the right is lower, with the cavity slightly focused down. Thus, the left ear first picks up the sounds from above and the right one the sounds coming under. It takes far less than half a second for the sound that reaches one ear be picked up by the other - but that's enough time for the Tyto furcata knows where to turn its head towards the sound source. The feathers that divide the face in half also help in directing the sound. All of these, coupled with the fact that the beak of Tytos face down, enhances the capture of sounds.


Skull of Aegolius funereus, in which is evident the same asymmetry between the hearing, present cavities in the barn owl. (Source: Norberg, 2002).

Another important thing related to the hearing of the barn owl is the arrangement of the nervous system, that makes its auditory system 10 times superior than human´s: by analogy, if our hearing is able to capture a sound, the barn owl is able to identify 10 others within it, and focus on a specific frequency. The brain of a barn owl also stores the specific location of a sound. Thus, these owls create a mind sound map of everything that surrounds them and remember where they heard something of interest.

The hearing of the barn owl is so interesting and perfect, that functions as a study model for research, related to human auditory processing disorders. This means that scientists seek answers to this problem in humans in the barn owls.

Silent Flight Masters

The ability to fly without making noise is essential for those who depend on hearing to find their game and there are two reasons:

First, there aren´t noises produced by the flight that may interfere with the focus of a specific sound: in the case of barn owl, a rodent in the litter. And second, its prey is captured without hearing the approach of its predator, that is, silence guarantees the "element of surprise". The ability of being a silent flight master relates directly to the owl feathers: they are especially soft, and in the case of flight feathers, they are outlined by barbules that give an appearance of "fringes". These characteristics, combined with the fact that the barn owl has more feathers than a bird of the same size, decreases the friction with the air and thus guarantees the silent flight.


Barbules skirting the flight feathers of barn owl. Source: The Barn Owl Trust (Http://www.barnowltrust.org.uk/barn-owl-facts/barn-owl-adaptations/)

Vision

The barn owl, like all owls, has big eyeballs, which are real estate - because of its tubular shape and size. But this is not a problem for the owls, because these birds are able to turn their heads 270 degrees and therefore can look in all directions.

Several studies on the visual capacity of the barn owl and other night owls show that in daylight, human and other animals as hawks, falcons, etc. can see much better than owls in terms of focus, contrast and color. But when we change the setting to the dark, the owls can see a little better than cats, which is enough. These birds are able to identify movement through light and dark contrasts, with only the light of the moon - something that we humans and many diurnal animals are not able to do. However, owls do not see colors.

In this first article, my biggest intention was to demystify the image of the barn owl. But there are many interesting things about them that would literally become a book! Their behavior, their logical and emotional intelligence - yes, they have those things. But these issues will be in the next articles, which I hope to write soon.


Mariana Aprile Pallinger is a biologist, an expert on animal behavior and Assisted Animal Interaction. She has studied the Art of Falconry for 8 years , having as her master and husband Frederick Pallinger.

Contact: mariana.aprilebitt@gmail.com

Texto en Español

La Leyenda de la Suindara (tyto furcata)

Los Búhos, por lo general, están rodeados de leyendas y supersticiones que han existido desde el antiguo Egipto y que también son parte de la mitología griega. El caso de la lechuza común (Tyto furcata) no es diferente, y, como este texto es dedicado a ella, la historia que vale la pena mencionar es la del origen del nombre Suindara para la lechuza común.

De acuerdo con el folclore del norte y noreste de Brasil, Suindara fue una “carpideira”, una mujer de 35 años que trabajaba llorando en los funerales de su ciudad. La leyenda cuenta que Suindara y el hijo de una rica dama se enamoraron y vivieron un romance secreto. Pero cuando la madre del niño descubrió la historia de amor de su hijo, pagó para que mataran a la muchacha. Suindara, que tenía la piel blanca y el cuerpo "gordito" fue enterrada en una hermosa cripta, y en su honor la gente puso una estatua de una lechuza blanca. El padre de Suindara a su vez, era considerado un “brujo” y después de descubrir el responsable por la muerte de su hija, hizo un hechizo en el que el espíritu de su hija entró en la estatua de la lechuza, que creó vida y voló al techo de la casa de la rica señora. En el techo entonces, la lechuza que llevaba el espíritu de Suindara cantó tres veces, y a la mañana siguiente, la señora se había muerto con sus ropas rasgadas.

Debido a esta leyenda, la especie Tyto furcata es conocida popularmente como "Suindara” y “Rasga Mortalha” y es vista como un animal que simboliza la mala suerte. Muchas personas juran que cuando una lechuza tyto aterriza en el techo de alguien y vocaliza, un residente de la casa va a morir. En otras regiones, "Rasga mortalha" es el nombre dada a esta lechuza, debido a su peculiar vocalización.

A pesar de que la historia de Suindara sea imaginaria, esta ave es a menudo perseguida y muerta por personas que consideran que esta leyenda sea verdadera. Esta lechuza es también conocida como “Coruja de igreja” (búho de iglesia), ya que a menudo habitan antiguas torres de iglesias y edificios abandonados.

Cuando la verdad es tan increíble como la leyenda

De hecho, la Suindara es sólo una rapaz nocturna, que tiene increíbles adaptaciones apropiadas a su tipo de vida. Desde la puntita de sus plumas hasta los órganos más internos, hay estructuras que permiten que la lechuza común sea el animal terrestre con una de las mejores audiciones entre los animales terrestres del planeta, con el vuelo más silencioso y, como resultado, es un depredador muy eficaz.

Audición

El sistema auditivo de la lechuza común se desarrolló de modo que ella es capaz de cazar un ratón que se mueva en completa oscuridad ─ este hecho da lugar a otra superstición equivocada: que los búhos son capaces de ver en la oscuridad. Pero, ¿cómo es esto posible?

En primer lugar la cara de estos búhos (llamado disco facial) está diseñado para captar las ondas sonoras y está cubierto de plumas especiales que dirigen el sonido a sus oídos. Hay básicamente tres tipos de plumas, como se muestra a continuación:


1 pluma de contorno. Estas plumas llenan la cabeza y la mayor parte del cuerpo. No tienen función; 2 – pluma auricular: rellena el disco facial, tiene pequeñas ramas y es permeable al ruido; 3 - plumas reflectantes: presentes en todo el contorno del disco facial, estas plumas dirigen el sonido a los oídos. (Fuente: von Campenhausen & Wagner 2006).

Los oídos de la lechuza común (así como de otros búhos nocturnos), a su vez, son asimétricos: el de la izquierda es mayor y la cavidad se vuelve ligeramente hacia arriba, mientras que el derecho es más bajo, con la cavidad un poco centrada hacia abajo. De este modo, el oído izquierdo capta primero los sonidos que vienen de arriba y el derecho los sonidos que vienen de abajo. Se necesita mucho menos de medio segundo para que el sonido que llega a un oído sea recogido por el otro - pero eso es tiempo suficiente para que la Tyto Furcata sepa dónde girar la cabeza hacia la fuente del sonido. Las plumas que dividen la cara en la mitad también ayudan a dirigir el sonido. Todo esto, unido al hecho de que el pico de la Tyto se vuelve hacia abajo, aumenta la captación de sonidos.


Cráneo de Aegolius funereus, en lo cual es evidente la misma asimetría entre las cavidades auditivas presentes en la lechuza común. (Fuente: Norberg, 2002).

Otra cosa importante relacionada con la audición de la lechuza común es la disposición del sistema nervioso que hace que su procesamiento auditivo sea 10 veces mayor que el humano: por analogía, si nuestro oído es capaz de capturar un sonido, la lechuza es capaz de identificar 10 otros dentro de él, y se centran en una frecuencia específica. El cerebro de la lechuza común también almacena la ubicación específica de un sonido. Por lo tanto, estos búhos crean un mapa mental de sonido de todo lo que les rodea y recuerdan donde escucharon algo de interés.

La audición de la lechuza es tan interesante y perfecta que sirve como modelo de estudio para la investigación relacionada con los trastornos del procesamiento auditivo humano. Esto significa que los científicos buscan respuestas a este problema en los seres humanos, en la lechuza común.

Silenciosos maestros de vuelo

La capacidad de volar sin hacer ruido es esencial para aquellos que dependen de la audición para encontrar a su presa y hay dos razones:

En primer lugar, no hay ruidos producidos por el vuelo que puedan interferir con el foco de un sonido específico: en el caso de la lechuza común, un roedor en el campo. Y en segundo lugar su presa es capturada sin escuchar el acercamiento de su depredador, es decir, el silencio garantiza el "factor sorpresa". La capacidad de ser un maestro del vuelo silencioso se relaciona directamente con las plumas de la lechuza: son especialmente suaves, y en el caso de las plumas de vuelo, esbozadas por barbules que les dan una apariencia de "flecos". Estas características, combinadas con el hecho de que la lechuza común presenta más plumas que un ave del mismo tamaño, disminuyen la fricción con el aire y por lo tanto garantizan el vuelo silencioso.


Barbules bordeando las plumas de vuelo de la lechuza. Fuente: The barn owl trust

(Http://www.barnowltrust.org.uk/barn-owl-facts/barn-owl-adaptations/)

Visión


La lechuza común, al igual que todos los búhos tiene grandes globos oculares, que son inmuebles - debido a su forma y tamaño tubular. Pero esto no es un problema para los búhos, debido a que estas aves son capaces de girar la cabeza 270 grados y por lo tanto pueden mirar en todas las direcciones.

Varios estudios sobre la capacidad visual de la lechuza común y otros búhos nocturnos muestran que a la luz del día, humanos y otros animales como los halcones, gavilanes, etc. ven mucho mejor que los búhos en términos de enfoque, contraste y color. Pero cuando cambiamos el escenario para la oscuridad, los búhos ven un poco mejor que los gatos, lo cual es suficiente. Estas aves son capaces de identificar el movimiento a través de los contrastes de luz y oscuridad, con sólo la luz de la luna - algo que los seres humanos y muchos animales diurnos no son capaces de hacer. Sin embargo, los búhos no ven colores.

En este primer artículo, la mayor intención era desmitificar la imagen de la lechuza común. Pero hay muchas cosas interesantes sobre ellas, que podrían llenar literalmente un libro! Su comportamiento, su inteligencia lógica y emocional - Sí, ellas tienen esas cosas. Sin embargo, estas cuestiones serán para los próximos artículos que espero escribirlos pronto!


Mariana Aprile Pallinger es bióloga, experta en comportamiento animal y interacción animal asistida. Estudia el arte de la cetrería hace 8 años y tiene como su maestro y esposo Frederick Pallinger.

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