• Kátia Boroni

Sanjay Veiga: Falcoeiro, Fotógrafo e acadêmico.

Atualizado: 18 de Jun de 2019



Sanjay Veiga é um biólogo formado pela universidade Estadual Vale do Acaraú e mestre em Levantamento de enterobactérias em Falcões peregrinos de vida livre. Nordestino de Fortaleza, Ceará, foi o pioneiro na falcoaria de seu estado.

Sanjay Veiga is a biologist graduated from State University Vale do Acaraú and a has a master in the investigation of enterobacteria in wild Peregrine Falcons. A man from northeast of Brazil, from Fortaleza, Ceará, he´s a pioneered in falconry in his state.

Sanjay Veiga es un biólogo graduado por la Universidad Estadual Vale do Acaraú y tiene un máster en la la investigación acerca de las entero bacterias en halcones peregrinos salvajes. Nacido en Fortaleza, Ceará, fue pionero en la cetrería en su estado.

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Sanjay Veiga: Falcoeiro, Fotógrafo e acadêmico.


Apaixonado pelos animais não sabe ao certo quando surgiu esta paixão, acreditando que já nasceu com ela, o que o motivou a dedicar sua vida à eles. Quando indagado sobre a origem deste sentimento, cita o grande músico Ravi Shankar que diz: “Há mais de mil vidas cultivo este amor”.

Sanjay, cujo nome Sânscrito significa San = juntos e Jay = glorificar, passa uma imagem de tranquilidade, espiritualidade e conexão com a natureza. De uma família Hindu, por muito tempo viveram trazendo mercadorias da Índia para vender em sua região, especialmente joias em prata. Seus pais vivem no interior, na Serra de Baturité, um dos pontos com a maior biodiversidade do nordeste e numa área bem preservada. É pai solteiro, vive com seu filho Jayram de 11 anos, que diz querer ser um cientista.

Seu primeiro contato com a falcoaria foi proporcionado graças a uma viagem para a Índia, que ganhou quando tinha por volta de 16 anos. Ao fazer uma escala de 24 horas em Londres, visitando o Zoológico ele viu uma apresentação de falcoaria pela primeira vez, e esta experiência o fascinou profundamente. Chegando na Índia ocorreu o contato mais intenso com uma ave de rapina, ao perceber em uma tarde ensolarada um rapinante (Milvus migrans) pousar na caixa de ar condicionado do seu hotel. Seu olhar foi hipnotizado por aquela ave magnifica que estava se alimentando tranquilamente, até que seu alimento caiu e ela virou de costas para a janela, e sem nem perceber Sanjay já a tinha em suas mãos. Após alguns minutos de contemplação, ele libertou a ave na mesma janela, mas o encantamento já havia ocorrido, e este momento nunca mais seria esquecido.

Chegando da Índia ele viajou pelas praias turísticas do Ceará vendendo algumas peças de prata Indianas. Em uma das praias encontrou um rapaz dando coca cola a um Carcará. Imediatamente lhe veio à lembrança do seu contato com a falcoaria e com o milhafre (Milvus migrans), e ele ofereceu um pingente pela ave. Retornando à sua residência começou a estudar e conseguiu orientação com um mineiro chamado Guilherme que lhe passou informações sobre a falcoaria e um material sobre a confecção de capuzes. Em seguida adquiriu a obra portuguesa “A arte da Falcoaria” de Carlos Crespo, além de buscar na internet mais informações e contatos de outros falcoeiros, com quem aprendeu muito.

Sua visão da Falcoaria vai muito além da caça com uma ave de rapina treinada:

“Na verdade para mim falcoaria é muito mais que apenas treinar aves de rapina... Falcoaria é a paixão por toda e qual quer coisa relacionada aos rapinantes, você não precisa estar voando uma ave para se considerar um falcoeiro ativo, os verdadeiros falcoeiros não conseguem viver longe dos ambientes naturais onde vivem os rapinantes.Por aqui, vejo que existem muitos falcoeiros de altíssima qualidade, mas ao mesmo tempo vejo que o simples fato de colocar um rapinante em punho infla o ego em demasia de alguns indivíduos.Isso termina por causar desunião e os rapinantes perdem muito com isso. Afinal, o nosso conhecimento de falcoaria traz com ele a responsabilidade na preservação, que acredito eu, seja a maior função de um falcoeiro nos dias atuais!”

Autodidata na falcoaria inclusive por ter sido o pioneiro no seu estado, aprendeu com o contato à distância com outros falcoeiros, mas sobretudo com as próprias aves, adquiridas de criatórios, que foram suas maiores professoras. Ele assinala que há vários obstáculos ao crescimento da falcoaria e na conservação das espécies brasileiras:

“Obstáculos?? Vejo sim, e muitos! Primeiro o descaso com a fauna e flora nordestina, estamos perdendo muitas aves e seus ambientes todos os dias. Por aqui é feito vista grossa..Outro grande problema é a burocracia na legalização de novos criatórios comerciais, isso deixa as aves muito caras, beneficiando apenas traficantes ilegais. Imagine que algumas das nossas aves são mais fáceis de comprar na Europa que no Brasil. Absurdo!“

Pessoalmente ele conhece poucos falcoeiros e nunca participou de nenhum encontro de Falcoaria, já que se interessa mais em explorar lugares ainda não conhecidos. Sua maior inspiração vem do grande Falcoeiro Espanhol Feliz Rodriguez de La Fuente. A leitura de seu livro e os seus documentários como “Operación Zorro” o fascinaram.


Sua primeira ave de rapina foi um falcão quiri-quiri (falco Sparverius) comprado do criatório Fukui. O único obstáculo na aquisição desta ave é que a empresa de transporte a enviou para o Maranhão ao invés do Ceará, o que fez com que o criador Fukui tivesse que orientar os funcionários da empresa sobre como alimentar a ave dentro da caixa, possibilitando assim que permanecesse viva até a sua chegada.

Apaixonado pelos falcoes peregrinos, recentemente concluiu o seu mestrado sobre eles. Ele nos relata como foi a experiência:

“Venho acompanhando falcões-peregrinos aqui há muitos anos, sou fascinado por essa espécie e encontrei um lugar onde eles adorar caçar, em meio as dunas, local super propicio a captura. Passei duas temporadas de migração em campo, capturei 9 falcões, os quais fiz uma recaptura e logo depois foto de outro indivíduo anilhado por mim. Consegui isolar uma de importância e algumas Submeti as principais bactérias isoladas ao teste de sensibilidade a antibióticos clássicos, algumas mostraram resistência a mais de 10 dos 12 antibióticos testados.Também foi feita a coleta de sangue para publicação de artigo sobre o padrão hematológico da espécie durante sua migração no nordeste brasileiro."


Sanjay é também viciado em fotografia de Natureza, e além de gostar da beleza das fotos, valoriza mais os registros, já que as florestas do Ceará estão sendo destruídas dia a dia. Preocupado com a conservação ambiental, ele tenta através de suas fotos registrar espécies de fauna e flora Cearenses que muito em breve poderão não ser mais encontradas. Ele possui mais de mil fotos de natureza feitas no Ceará todas com informações da espécie, data e município, e que podem ser vistas por todos no seu flickr. https://www.flickr.com/photos/sanjayveiga/

O controle biológico é visto por ele como um tema de elevada importância, e aliado à falcoaria como uma solução ao desequilíbrio ecológico. Sobre isso ele afirma:

“A cada dia vemos mais e mais problemas relacionados ao descontrole de algumas espécies, a falcoaria tem realizado um trabalho belíssimo Brasil a fora, gerado muitos empregos. Precisamos legalizar a profissão de falcoeiro no país, estabelecer testes padrão e um piso para essa nova classe de trabalhadores”

A reabilitação de aves de rapina, utilizando técnicas de falcoaria, tem sido realizada em várias partes do Brasil, mas infelizmente no Ceará ela ainda não ocorre, deixando os rapinantes feridos sem um socorro adequado, e ao serem libertados colocando em risco inclusive a saúde das aves de vida livre por contaminação bacteriana:

“Por aqui a reabilitação é ZERO! Não posso falar de estados onde não acompanhei, acredito que por aí deve estar sendo feito de uma maneira um pouco melhor. Em geral se um falcoeiro quer que uma ave seja bem reabilitada, ele tem que fazer por contra própria, correndo risco de ser julgado como traficante ou por posse ilegal de aves. Vejo aves sendo soltas sem o menor preparo físico, provavelmente albergando bactérias adquiridas nos ditos centros de triagem, onde utilizam muitos antibióticos, os quais forçam a resistência bacteriana e depois soltam essas aves.Na verdade por aqui tem sido feito um desserviço, justamente por não terem a humildade de aceitar ajuda de falcoeiros."

A solução para a conservação ambiental é através da educação, e a educação ambiental especialmente a feita com o uso de rapinantes é vista por ele como a chave para a mudança da atual situação de destruição de nossa fauna e flora:

“Educação ambiental é a chave!! Não nos preocupamos com algo distante ou que não conhecemos. O simples fato de observar ou colocar uma ave em punho, muitas vesses já é o suficiente para influenciar o individuo a enxergar os rapinantes com outros olhos. Sem falar nas explicações sobre controle biológico natural, migração e vida dos rapinantes. Um verdadeiro falcoeiro contamina todos com seu amor por essas fascinantes aves..”

Sanjay além de um biólogo engajado em causas ambientais, e também um estudioso que quer continuar sua trajetória acadêmica fazendo um Doutorado. Deseja terminar sua coleção de fotos das aves do Ceará e descer os seus rios de Caiaque, e depois arrumar outra desculpa para permanecer em contato com a natureza o máximo de tempo possível! Que você continue fazendo a diferença e promovendo a falcoaria no seu estado. Muito obrigada pela entrevista!

Namastê!

Kátia Boroni

English Version

Sanjay Veiga: Falconer,

photographer and Schollar


Sanjay Veiga is a biologist graduated from State University Vale do Acaraú and a has a masters in enterobacteria survey in the wild peregrine Falconss. A man from northeast of Brazil, from Fortaleza, Ceará, he´s a pioneered in falconry in his state.

An animal lover, he is not sure when this passion came out, believing that he was born with it, which motivated him to dedicate his life to them. When asked about the origin of this feeling, he quotes the great musician Ravi Shankar that says: "I´ve been cultivating this love for more than a thousand lives"

Sanjay, whose name in Sanskrit means San= glorify and Jay= together, passes an image of tranquility, spirituality and connection with nature. From a Hindu family, they lived for a long time bringing goods from India to sell in their region, especially silver jewelry. His parents live in the Serra de Baturité, one of the points with the greatest biodiversity in the northeast, in a well-preserved area. He is a single parent living with his eleven-year-old son Jayram, who wants to be a scientist

His first contact with falconry was provided thanks to a trip to India, which he won when he was around 16 years. In his 24-hour layover in London he visited the Zoo and saw a falconry show for the first time, and this experience deeply fascinated him. As he arrived in India he had the most intense contact with a bird of prey, happening on a sunny afternoon when a hawk (Milvus migrans) landed on the air conditioning box of his hotel. He got hypnotized by this magnificent bird that was eating quietly until her food fell and she turned her back to the window, and without even realizing Sanjay already had her in his hands. After a few minutes of contemplation, he freed the bird in the same window, but he was already bewitched by falconry , and this time was never forgotten.

Arriving from India he traveled to the touristic beaches of Ceará (Brazil) selling a few pieces of Indian silver. In one of the beaches he found a boy giving coca cola to a Carcará (caracara plancus). He immediately remembered his contact with falconry and with the kite (Milvus migrans), and he offered a pendant for the bird. Returning to his home he began to study and got guidance with a man from Minas Gerais (Brazil) named Guilherme who gave him information about falconry and a material for the production of hoods. Then he bought the Portuguese book "The Art of Falconry" from Carlos Crespo, and then searched in the Internet more information and contacts from other falconers, from whom he learned a lot.

His vision of falconry goes far beyond hunting with a trained bird of prey:


"Actually for me falconry is more than just training birds of prey ... Falconry is a passion for all and with anything related to raptors, you don´t need not be flying a bird to be considered an active falconer, true falconers can´t live away from the natural environments where raptors live. Here, I see that there are many high quality falconers, but at the same time I see that the simple fact of putting a bird of prey in the glove inflates the ego of some individuals too much. This ends up causing disunity and the raptors lose a lot with it. After all, our falconry knowledge comes together with the responsibility to preserve, I believe this is the highest function of a falconer nowadays! "

Self-taught in falconry, including being the pioneer in his state, Sanjay learned with the distant contact with other falconers but above all with his own birds, bought from legal breeders, which were his greatest teachers. He points out that there are several obstacles to the growth of falconry and conservation of Brazilian species:

"Obstacles?? I do see them, and many! First the neglect of the Northeastern flora and fauna, we are losing a lot of birds and environment every day. Here people pretend it´s not happening . Another major problem is the bureaucracy in the legalization of new commercial breeders; it makes birds of prey very expensive, benefiting only illegal traffickers. Imagine that some of our birds are easier to buy in Europe than in Brazil. It´s an absurd!"

Personally he knows few falconers and never participated in any falconry meeting, as he is more interested in exploring unknown places. His greatest inspiration comes from the great Spanish Falconer Feliz Rodriguez de la Fuente. The reading of his book and his documentaries such as "Operación Zorro" fascinated him.


His first Raptor was an American Kestrel (Falco sparverius) purchased from the breeder Fukui. The only obstacle in the acquisition of this bird is that the transport company sent it to Maranhão instead of Ceará, which has made the breeder Fukui call the company and teach the employees how to feed the bird inside the box, thus enabling her to stay alive until her arrival.

Fond of peregrine falcons, he recently completed his Masters on them. He tells us how was this experience:

"I've been watching peregrine falcons here for many years, I am fascinated by this species and found a place where they love to hunt, amid the dunes, a very good place for trapping. I spent two migration seasons in the field, trapped 9 Hawks, which I made a recapture and soon after a photo of another individual ringed by me. I could isolate a significant Salmonella and some E.collis. I submitted the isolated main bacteria to a test of susceptibility to classic antibiotics , and some showed resistance to more than 10 of the 12 antibiotics tested. I also took blood samples for publishing an article on hematological pattern of the species during their migration in the northeastern of Brazil. "

Sanjay is also addicted to Nature photography, and besides enjoying the beauty of the photos, he values ​​more the records, since the forests of Ceará are being destroyed every day. Concerned about environmental conservation, he tries through his photographs to record species of fauna and flora from Ceará, which very soon will no longer be found. He has more than a thousand pictures of nature made ​​in Ceará with all information on the species, date and city, and that can be seen by everyone in his flickr. https://www.flickr.com/photos/sanjayveiga/

Biological control is seen by him as a topic of high importance, and combined with falconry as a solution to the ecological imbalance. He says:

"Every day we see more and more problems related to the descontrol of some species, falconry has done a good job in Brazil, generating many jobs. We need to legalize the falconer profession in the country, establish standard tests and a Minimum wage for this new category."

The rehabilitation of birds of prey using falconry techniques has been held in various parts of Brazil, but unfortunately in Ceará it still doesn´t occur, leaving the wounded raptors without proper help, and are released causing a risk to the wild birds of being infected by bacterial contamination:

"Here the rehabilitation is ZERO! I cannot speak of states where I don´t follow, I believe that somewhere it should be happening a little better. In general if a falconer wants a bird to be well rehabilitated, he has to do it on his own, at risk of being judged as a dealer or for illegal possession of birds. I see birds being released without any physical preparation, probably harboring bacteria acquired in the so called sorting centers, which use a lot of antibiotics that cause bacterial resistance and then loosen these birds .. In fact here has been done a disservice exactly for not having the humility of accepting the help of falconers. "

The solution to environmental conservation is through education, and environmental education, especially the one made with the use of raptors, is seen by him as the key to change the current situation of destruction of our fauna and flora:

"Environmental education is the key!! We don´t worry about something far away or unknown to us. The simple fact of observing or putting a bird on the glove, most of times is enough to influence the individual see the birds of prey with different eyes. Not to mention the explanations of natural biological control, migration and life of raptors. A true falconer infects everyone with his/her love for these fascinating birds .. "

Sanjay besides a biologist engaged in environmental causes is also a scholar who wants to continue his academic career doing a PhD. He wants to complete his collection of photos of birds of Ceará and down the rivers kayaking, and then find another excuse to stay in touch with nature as much time as possible! I wish that you continue making a difference and promoting falconry in your state. Thank you very much for this interview.

Namaste!

Kátia Boroni

Versión en Español

Sanjay Veiga: Cetrero, fotógrafo y académico.


Sanjay Veiga es un biólogo graduado por la Universidad Estadual Vale do Acaraú y tiene un máster en la encuesta entero bacterias en halcones peregrinos salvajes. Nacido en Fortaleza, Ceará, fue pionero en la cetrería en su estado.

Él es un apasionado por los animales y no está seguro de cuándo surgió esta pasión, creyendo que nació con él, lo que lo motivó a dedicar su vida a ellos. Cuando se le preguntan sobre el origen de este sentimiento, cita el gran músico Ravi Shankar que dice: "Hay más de un millar de vidas cultivo este amor."

Sanjay, cuyo nombre sánscrito significa conquistado y triunfante, nos pasa una imagen de tranquilidad, espiritualidad y conexión con la naturaleza. Sanjay, cuyo nombre en sánscrito significa San = glorificar y Jay = juntos, pasa un imagen de tranquilidad, espiritualidad y conexión con la naturaleza. De familia hindú, por mucho tiempo vivieron trayendo mercancías procedentes de India para vender en su región, en especial joyería en plata. Sus padres viven dentro de la Sierra de Baturité, uno de los puntos de mayor biodiversidad en el noreste, en una zona bien conservada. Es padre soltero, vive con su hijo Jayram de 11 años, quien dice que quiere ser un científico.

Su primer contacto con la cetrería fue gracias a un viaje a India, que ganó cuando tenía alrededor de 16 años. Al hacer una escala de 24 horas en Londres, visitó el zoológico y vio una exhibición de cetrería por primera vez, y esta experiencia lo dejó profundamente fascinado. Al llegar a India ocurrió el más intenso contacto con un ave de presa, al darse cuenta en una soleada tarde que una rapaz (Milvus migrans) había posado en la caja del aire acondicionado de su hotel. Su mirada se hipnotizó por esta magnífica ave que se alimentava en silencio hasta que su comida cayó y ella se volvió de espaldas a la ventana, y sin darse cuenta Sanjay ya la tenía en sus manos. Después de unos minutos de contemplación, él la liberó en la misma ventana, pero el hechizo ya lo había tomado, y este momento nunca fue olvidado.

Llegando de su viaje a India, él viajó por las playas turísticas de Ceará vendendo algunas piezas de plata indio. En una de las playas él encontró un niño dando una coca cola a un Carcará (caracará plancus). De inmediato vino a la mente su contacto con la cetrería y con el milano negro (Milvus migrans), y ofreció un colgante por el ave. Al regresar a su casa empezó a estudiar y tuvo la orientación de un brasileño del estado de Minas llamado Guilherme, que le pasó informaciones sobre la cetrería y un material para la fabricación de caperuzas. Luego adquirió el libro portugués "El arte de la cetrería" de Carlos Crespo, además de buscar en Internet más información y contactos de otros cetreros, con quien aprendió mucho.

Su visión de la cetrería va mucho más allá de la caza con un ave de presa adiestrada:


“De hecho para mí la cetrería es algo más que entrenar a las aves rapaces... es una pasión para todo y cualquier cosa relacionada alas aves rapaces, no es necesario que estés volando una rapaz para que se considere un cetrero activo, los verdaderos cetreros no consiguen vivir lejos de los entornos naturales en los que viven las rapaces. Aquí, veo que hay muchos cetreros de alta calidad, pero al mismo tiempo veo que el simple hecho de poner una rapaz en el guante infla el ego demasiado para algunas personas. Esto termina causando la desunión y las rapaces pierden mucho con eso. A fin de cuentas, nuestros conocimientos de cetrería traen consigo la responsabilidad de preservar, que creo que sea la más alta función de un cetrero hoy en día!”

Autodidacta en cetrería incluso fue el pionero en su estado, aprendió con el contacto a distancia con otros cetreros pero sobre todo con sus propias aves, adquiridas de centros de cría autorizados, que fueran sus más grandes maestras. Señala que existen varios obstáculos para el crecimiento de la cetrería y la conservación de las especies brasileñas:

"Obstáculos?? Los veo sí, y muchos! En primer lugar el abandono de la flora y la fauna del noreste, estamos perdiendo una gran cantidad de aves y su entorno todos los días. Aquí hacen la vista gorda .. Otro gran problema es la burocracia en la legalización de nuevos criaderos comerciales, eso deja las aves muy caras, beneficiando solamente a los traficantes ilegales. Imagínese que algunos de nuestras rapaces son más fáciles de comprar en Europa que en Brasil. Absurdo!"


Personalmente conoce a pocos cetreros y nunca participó de ninguna reunión de cetrería, ya que está más interesado en la exploración de lugares aún no conocidos. Su mayor inspiración viene de la gran cetrero español Feliz Rodríguez de la Fuente. Le fascinaba leer su libro y ver sus documentales como "Operación Zorro".

Su primer ave fue un cernícalo americano (Falco sparverius) comprado del centro de cría de Fukui. El único obstáculo en la adquisición de esta ave es que la empresa de transporte la envió a Maranhão en lugar de Ceará, lo que hizo que el creador Fukui llamara a los empleados y los enseñara cómo alimentar al cernícalo dentro de la caja, lo que permitió mantenerlo vivo hasta su llegada.

Apasionado por los halcones peregrinos, recientemente ha terminado su maestría acerca de ellos. Él nos cuenta cómo fue la experiencia:

"He acompañado los halcones peregrinos aquí por muchos años, me fascina esta especie y encontré un lugar en el que les gusta cazar, en medio de las dunas, lugar muy propicio para su captura. Me pasé dos temporadas de migración en el campo, capturé 9 Peregrinos, hice una recaptura y poco después fotografié otro individuo anillado por mí. Pude aislar una importante Salmonella y algunas E.collis. Sometí las principales bacterias aisladas a pruebas de sensibilidad a los antibióticos clásicos, y algunas mostraron resistencia a más de 10 de los 12 antibióticos probados. También se hizo la extracción de sangre para la publicación de un artículo en el patrón hematológico de la especies durante su migración en el noreste de Brasil. "

Sanjay también es adicto a la fotografía de la naturaleza, le encanta disfrutar de la belleza de las fotos pero valora más los registros, ya que los bosques de Ceará se destruyen todos los días. Preocupado con la conservación ambiental, intenta a través de sus fotografías registrar especies cearenses de flora y fauna que muy pronto ya no se encontrarán. Él cuenta con más de mil fotografías de la naturaleza hechas en Ceará, con toda la información sobre la especie, la fecha y la ciudad, y que pueden ser vistas por todos en su flickr. https://www.flickr.com/photos/sanjayveiga/

El control biológico es visto por él como un tema de gran importancia, y combinado con la cetrería es una solución al desequilibrio ecológico. Al respecto, dice:

"Cada día vemos más y más problemas relacionados con el desequilibrio de algunas especies, la cetrería ha hecho un buen trabajo por todo Brasil y genera muchos puestos de trabajo. Necesitamos la legalización de la profesión de cetrero en el país, establecer pruebas estándar y un piso salarial para esta nueva clase de trabajadores "

La rehabilitación de aves rapaces que utilizando técnicas de cetrería, ocurre en varias partes de Brasil, pero por desgracia en Ceará ella todavía no es hecha, dejando las rapaces heridas sin la ayuda adecuada, y poniendo en riesgo la salud de las aves de vida libre por la contaminación bacteriana:

"¿Por qué aquí la rehabilitación es CERO! No puedo hablar de los estados en los que no acompaño, creo en ella es hecha de una manera un poco mejor en alguna region. En general si un cetrero quiere que un ave sea bien rehabilitada, que tiene que hacer por su cuenta, a riesgo de ser juzgado como un traficante o por posesión ilegal de aves. Veo los pájaros siendo puestos en libertad sin ningún tipo de preparación física, probablemente albergando bacterias adquiridas en dichos centros de tratamiento, que utilizan una gran cantidad de antibióticos causando la resistencia bacteriana y luego liberan estas aves .. De hecho aquí no ayudan sólo atrapan por no tener la humildad para aceptar ayuda de los cetreros. "

La solución a la conservación del medio ambiente es a través de la educación, y la educación ambiental hecha especialmente con el uso de las aves de presa es vista por él como la clave para cambiar la situación actual de la destrucción de nuestra fauna y flora:

"La educación ambiental es la clave !! No nos preocupamos por algo lejos o que no conozcamos. Basta observar o poner un pájaro en el guante, muchas veces es lo suficiente para influir en el individuo la mirada con otros ojos de las rapaces. Por no hablar de las explicaciones acerca del control biológico natural, la migración y la vida de las rapaces. Un verdadero cetrero infecta a todos con su amor por estas aves fascinantes. "

Sanjay además de un biólogo dedicado a causas ambientales, es también un investigador que quiere continuar su carrera académica haciendo un doctorado. Quiere completar su colección de fotos de las aves de Ceará y bajar sus ríos de Kaiak y, a continuación encontrar otra excusa para mantenerse en contacto con la naturaleza tanto tiempo como sea posible! Que usted continúe marcando la diferencia y promoviendo la cetrería en su estado. Muchas Gracias por la entrevista.

Namaste!

Kátia Boroni

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