• Kátia Boroni

Falcoaria com Parabuteo e cães

Atualizado: Abr 6

postagem original em 26 de Abril de 2016


Caçar usando cães é em muitos casos indispensável, mas a parceria entre aves de rapina e cães nem sempre é conseguida de maneira satisfatória. Hoje começo uma série de traduções sobre o tema. O primeiro é sobre os parabuteos. Os gaviões asa de telha (parabuteo unicinctus) podem ser acostumados com cães de caça e desenvolver uma parceria sadia, porém para isso há que se tomar alguns cuidados. Infelizmente alguns exemplares de gaviões asa de telha são extremamente agressivos com cães, e neste caso não há solução conhecida. Toby Bradshaw no seu artigo “Harris's hawks and dogs” explica como promover esta parceria. Vejamos a seguir a tradução de seu texto.

Hunting using dogs is indispensable in many cases, but the partnership between birds of prey and dogs is not always achieved satisfactorily. Today I start a series of translations on the subject. The first is about the Harris’ Hawks. The Harris´ Hawks (parabuteo unicinctus) can be used to hunt with dogs and build a nice partnership, but for this it´s necessary to take some care. Unfortunately some individuals are extremely aggressive with dogs, and in this case there is no known solution. Toby Bradshaw in his article “Harris's hawks and dogs” explains how to promote this partnership. Let´s read the translation of his text to Portuguese, the original is after the translation.

Parabuteo e Cães


O trabalho de equipe entre um falcoeiro, cães e gaviões asa de telha é a essência do esporte. Em muitas partes do país (EUA), caçar coelhos sem bons cães é difícil ou impossível. Alguns Asas de telha se dão muito bem com cães desde o início, mas a maioria dos parabuteos precisa de uma introdução cuidadosa com os cães, e alguns parabuteos nunca superam sua animosidade com eles. Aqui em Washington ocidental, nós dependemos muito dos nossos cruzamentos de terriers Jack Russell e beagles, que um parabuteo que não cace com cães se torna inútil. Nós passamos muito tempo tentando entender a interação entre os asa de telhas e os cães pequenos, e nós desenvolvemos alguns métodos de reprodução, de criação e de treinamento que funcionam para nós.

Há três respostas que um asa de telha poderá ter em relação a um cão: aceitação, medo ou agressão. A aceitação é a resposta preferida. O medo pode ser superado com um treinamento paciente. A agressão é um problema grave, especialmente com asas de telha femininos e cães pequenos. Se a agressão for descontrolada, ela nunca poderá ser superada. Um gavião que ataca cães não é seguro para voar em muitas situações. É ruim o suficiente ter o seu próprio cão pregado pelo seu gavião, mas é muito pior se o seu gavião fere o cão de outra pessoa.

A maneira mais fácil de conseguir a aceitação é criando os jovens gaviões na presença de cães. Os gaviões asa de telha reproduzidos por nós são comprovadamente aves de falcoaria que voam com sucesso com cães. Os recintos de reprodução são cercados por cães, por isso os filhotes aprendem que os cães não são uma ameaça. No entanto, embora os jovens gaviões não tenham medo de cães, é muito imprudente começar a caçar com um gavião jovem na companhia de cães. Gaviões inexperientes são extremamente temperamentais, e reflexivamente perseguem e agarram qualquer coisa que se move através dos arbustos. Eles não fazem distinção entre um coelho correndo e um Jack Russell deslizando ao longo dos arbustos.


A forma mais segura é que o jovem gavião capture vários coelhos (5-10) em por conta própria antes que os cães sejam adicionados à equação. Quando você tiver a certeza de que o gavião sabe que a caça é de coelhos, traga um cão (o maior que você tiver) em uma área onde haja abundância de coelhos e onde o gavião possa ver o cão também. Isso reduz as chances do gavião erroneamente agarrar o cão, ou atingir o cão por tédio. Depois de alguns capturas bem sucedidas, o gavião descobre que o “ a uau” (latido) do cão é um sinal claro de um coelho em movimento, o cão aprende que o sino do falcão está sempre diretamente sobre o coelho, e o falcoeiro se torna um espectador satisfeito da ação.


Se um gavião agarrar um cachorro por acidente, geralmente ele vai deixa-lo ir quando perceber seu erro. No entanto, os jovens podem ter um punho de ferro, e os uivos de um cão apanhado realmente parece incentivar algumas aves jovens. Sob nenhuma circunstância se deve oferecer ao gavião comida para tirá-lo do cão! A última coisa que você quer fazer é recompensar este tipo de comportamento. Tente molhar o gavião, ou esguichá-lo com uma mangueira. Se necessário, segure o gavião em torno da cabeça com a mão enluvada, cobrindo os olhos e apertando suavemente. Soltar as garras é a opção final, mas é possível que a garra seja danificada ou mesmo arrancada do dedo do pé. Infelizmente, um gavião que uma vez agarrou um cão é mais propenso a fazê-lo novamente no futuro, assim que a prevenção é a chave. Certifique-se de que o gavião esteja viciado nos coelhos antes de trazer um cão para o campo.

Gaviões asas de telha que são criados na ausência de cães mostram frequentemente uma resposta de medo, abrindo suas asas como um indicador da ameaça e girando para manter o cão à vista. O medo é superado mantendo o cão na área do jardim e durante as sessões de manejo e treinamento. Após o gavião capturar alguns coelhos por si próprio (pela mesma razão descrita acima), o cão pode ser introduzido no campo. Enquanto o gavião demonstrar uma resposta de medo, ele não irá pegar o cão a menos que o cão corra em direção à uma presa capturada e o gavião sinta a necessidade de dar uma patada no cão para se defender. Este tipo de comportamento de defesa não é perigoso para o cão, e, de fato, ensina o cão a manter distância. Por um tempo o gavião pode ter medo de pegar um coelho bem na frente dos cães, mas, eventualmente, ele vai aprender que os cães não significam nenhum perigo e irá permitir-lhes ajudar a matar um coelho em luta. Parabuteos reconhecem cães individuais e muitos asas de telha não caçarão bem, exceto com cães familiares.


A última categoria de asas de telha são aqueles agressivos com os cães. Vários fatores contribuem para isso. Em primeiro lugar, alguns casais de asas de telha parecem produzir descendentes que têm uma predisposição para pegar cães. Certifique-se de comprar os gaviões de um criador cuja aves são conhecidas por voarem bem com cães. Em segundo lugar, parabuteos retirados muito jovens dos pais nunca atingem um respeito adequado com as pessoas, outros parabuteos, ou cães. Eu acredito que 12-16 semanas é a idade mínima para retirar um jovem asa de telha de seus pais, conforme descrito na nossa filosofia de reprodução e criação de gaviões asas de telha. Em terceiro lugar, parabuteos que são voados com peso baixo por vezes podem atacar um cão devido à fome extrema, e de vez em quando um gavião que seja voado gordo poderá atacar um cão por tédio, especialmente se o cão estiver perambulando do lado de fora. Não pegue o seu cão e mantenha-o perto do gavião, uma vez que isto parece incentivar um ataque em alguns parabuteos. A maioria dos cães parecem saber isso instintivamente e tentam evitar fazer contato visual com o gavião quando eles estão sendo manejados. Finalmente, ataques à cães é muito mais comum entre os gaviões asa de telha do sexo feminino. Machos raramente têm problemas de agressividade com cães.

Nós não sabemos de qualquer maneira de curar gaviões asa de telha que sejam verdadeiramente agressivos com cães. O gavião agressivo trata o cão como presa, se agarrando a ele e puxando-o com o bico. A única solução para este tipo de agressão é encontrar para o gavião uma casa com um falcoeiro que possa lidar com o problema, ou sacrificá-lo. Nenhum gavião com este comportamento nunca deve ser colocado em um projeto de reprodução.

Harris's hawks and dogs

Contact: Toby Bradshaw <baywingdb@comcast.net>

The teamwork between a falconer, dogs, and Harris's hawks is the essence of the sport. In many parts of the country, hawking rabbits without good dogs is either difficult or impossible. Some Harris's hawks get along well with dogs from the outset, but most Harris's hawks need a careful introduction to dogs, and some hawks never do overcome their animosity towards dogs. Here in western Washington, we depend so much upon our Jack Russell terriers and beagle crosses that a Harris's hawk which won't hunt with dogs is useless. We've spent a lot of time trying to understand the interaction between Harris's hawks and small dogs, and we've developed some breeding, rearing, and training methods that work for us.

There are three responses a Harris's hawk may have towards a dog: acceptance, fear, or aggression. Acceptance is the preferred response. Fear can be overcome with patient training. Aggression is a serious problem, especially with female Harris's hawks and small dogs. If aggression is unchecked, it may never be conquered. A dog-grabbing hawk is unsafe to fly in many situations. It is bad enough to have your own dog nailed by your hawk, but it is far worse if your hawk injures someone else's dog.

The easiest way to achieve acceptance is to rear the young hawks in the presence of dogs. Our breeding Harris's hawks are proven falconry birds that have been flown successfully with dogs. The breeding chambers are surrounded by dogs, so the eyasses learn that dogs are not a threat. However, even though the young hawks are not afraid of dogs, it is very unwise to begin hunting a young hawk in the company of dogs. Inexperienced hawks are extremely hot-blooded, and reflexively chase and grab anything that moves through the brush. They do not distinguish between a scurrying rabbit and a Jack Russell slithering along in the briars. The safest course of action is for the young hawk to catch several (5-10) rabbits on its ownbefore the dogs are added to the equation. Once you are sure that the hawk knows that the hunt is for rabbits, bring along one dog (the biggest you have) into an area where there are plenty of rabbits and where the hawk can see the dog well. This reduces the chances of the hawk mistakenly grabbing the dog, or hitting the dog out of boredom. After a few successful hunts, the hawk learns that the dog's 'yip' is a sure sign of a moving rabbit, the dog learns that the hawk's bell is always directly over the bunny, and the falconer becomes a satisfied spectator of the action.

If a hawk grabs a dog by accident, usually it will let go when it realizes its mistake. However, young hawks can have an iron grip, and the howling of a caught dog really seems to fire up some young birds. Under no circumstances should the hawk be offered food to get it off the dog! The last thing you want to do is reward this kind of behavior. Try dunking the hawk in water or spraying it with a hose. If necessary, grip the hawk around the head with your gloved hand, covering the eyes and squeezing gently. Prying the talons loose is the final option, but it is possible that the talon will be damaged or even pulled out of the toe. Unfortunately, a hawk that has once grabbed a dog is more likely to do it again in the future, so prevention is the key. Make sure that the hawk is wedded to rabbits before bringing a dog into the field.

Harris's hawks that are reared in the absence of dogs frequently show a fear response by opening their wings in a threat display and pivoting to keep the dog in sight. Fear is overcome by having the dog hang around the weathering area and during manning/training sessions. After the hawk has caught a few rabbits on its own (for the same reason outlined above), the dog can be introduced in the field. As long as the hawk shows the fear response, it will not grab the dog unless the dog runs in on a kill and the hawk feels the need to foot the dog to defend itself. This sort of defensive behavior is not dangerous for the dog, and in fact teaches the dog to keep its distance. For a time the hawk may be afraid to catch a rabbit right in front of the dogs, but eventually it will learn that the dogs mean no harm and will allow them to help it kill a struggling rabbit. Harris's hawks recognize individual dogs and many hawks will not hunt well except with familiar dogs.

The final category of Harris's hawks is those that are aggressive towards dogs. Several factors contribute to this. First, some pairs of Harris's hawks seem to produce offspring that have a predisposition to grab dogs. Make sure to buy hawks from a breeder whose birds are known to fly well with dogs. Second, Harris's hawks taken too young from the parents never attain a proper respect for people, other Harris's hawks, or dogs. I believe that 12-16 weeks is the minimum age for taking a young Harris' hawk from its parents, as described in our philosophy of breeding and rearing Harris's hawks. Third, Harris's hawks that are flown at low weights will sometimes tackle a dog out of extreme hunger, and once in awhile a Harris's hawk that is flown fat will smack a dog out of boredom, especially if the dog is lollygagging around outside the cover. Don't pick up your dog and hold it near the hawk, since this seems to invite an attack from some Harris's hawks. Most dogs seem to know this instinctively and try to avoid making eye contact with the hawk when they are being held. Finally, dog grabbing is much more common among female Harris's hawks. Tiercels rarely have problems with aggression towards dogs.

We don't know of any way to cure a Harris's hawk that is truly aggressive towards dogs. The aggressive hawk treats the dog as quarry, binding to it and pulling at it with the beak. The only solution for this kind of aggression is to find the hawk a home with a falconer who can deal with the problem, or euthanize it. No hawk with this behavior should ever be placed in a breeding project.

Referências:

Harris's hawks and dogs

Contact: Toby Bradshaw <baywingdb@comcast.net>

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Kátia Boroni é jornalista, e escreve sobre Falcoaria, aves de rapina e

Educação ambiental para os sites Diário de Falcoaria e Corujando por aí. 

 

Kátia Boroni is a journalist, and writes about Falconry, birds of prey and environmental education for the websites Diário de Falcoaria and Corujando por aí.

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