• Kátia Boroni

Conservação de aves no Brasil

Atualizado: 26 de Jun de 2019



Hoje vou comentar sobre o texto Conservação de aves no Brasil, dos autores Miguel Ângelo Marini e Frederico I. Garcia. Departamento de Zoologia, Instituto de Biologia, Universidade de Brasília, Brasília, 70.910-900, DF, Brasil.

É um artigo muito interessante e que fala sobre a composição e distribuição das aves brasileiras, o número e distribuição das espécies ameaçadas, as principais ameaças do presente e do futuro e as iniciativas para conservação e pesquisa.

É uma leitura importante para compreender a quantidade de espécies de aves no Brasil, e o enorme número de espécies ameaçadas de extinção. O problema é maior na Mata Atlântica, já que ela contém 75,6% das espécies ameaçadas e endêmicas do Brasil: “fazendo do bioma o mais crítico para a conservação de aves no Brasil”.

Segundo o texto a principal ameaça para as aves brasileiras é a perda e a fragmentação de habitats, seguida pela captura excessiva. A invasão de espécies exóticas, a poluição, a perturbação antrópia e a morte acidental, alterações na dinâmica das espécies nativas, desastres naturais e perseguição são outras ameaças.

O tráfico internacional de aves e de animais silvestres é uma atividade forte no Brasil e que ameaça inúmeras espécies, sendo que o texto cita duas espécies consideradas extintas, em grande parte devido ao tráfico ilegal: Arara azul-pequena e ararinha azul (cyanopsitta spixii). De acordo com os dados do texto cerca de 12 milhões de animais são traficados todos os anos no Brasil.

As aves que são aprendidas são tratadas e posteriormente devolvidas à natureza, mas são poucos os programas de translocação bem planejados, de acordo com os autores:

“A maioria dos espécimes capturados ilegalmente é libertada em locais impróprios (fora de sua distribuição geográfica natural) e sem uma avaliação apropriada de seu estado sanitário, sendo os efeitos dessas solturas desconhecidos.”

A comunidade ornitológica brasileira tem fornecido estrutura e organização para inúmeras pesquisas, patrocinam encontros anuais desde 1991 e publica um periódico especializado. O texto cita um dos programas mais bem sucedidos no Brasil, que é o projeto Arara-azul, criado em 1991 no Pantana.

Um dos maiores desafios segundo os autores para os ornitólogos brasileiros é a falta de informações básicas das espécies raras e do crescente número de espécies ameaçadas:

“Nós sabemos quais as espécies estão ameaçadas, quais são as suas principais ameaças e onde elas devem ser preservadas. Contudo, faltam informações sobre as novas espécies e sobre a biologia das espécies descritas tanto recentemente quanto anteriormente. As pesquisas e as medidas de conservação ainda estão desigualmente distribuídas entre as regiões e espécies, e as ameaças não estão diminuindo. O Brasil necessita de um Plano Nacional para a Conservação das Aves que possibilite organizar e definir as prioridades para as ações de diferentes instituições e profissionais; definir as necessidades para a pesquisa futura e a capacitação de pessoal; estabelecer prioridades nacionais para a conservação e manejo das espécies ameaçadas e áreas importantes para a conservação; e promover políticas publicas para melhorar a proteção das aves”.

A leitura do texto foi muito rica e trouxe dados preocupantes. Eu participei do X Ciclo de Palestras sobre Reabilitação e reintrodução de animais silvestres no Ibama em Belo Horizonte-MG, em Março de 2015. Nestas palestras pude perceber como o trabalho de reabilitação e reintrodução é difícil, custoso e nem sempre com resultados satisfatórios devido à falta de estudos mais detalhados sobre a vida em ambiente natural de muitas espécies de aves, assim como a falta de recursos financeiros e de parceiros para que tudo funcione bem.

O mais importante é investir para que a captura dos animais silvestres diminua, reduzindo a necessidade de reabilitação e reintrodução. Conscientizar à população sobre o dano ambiental ao se comprar um animal silvestre ilegal é o passo mais importante, pois tudo começa na educação ambiental. Só poderemos realmente preservar a nossa riqueza natural se a valorizarmos, e isso deveria vir de berço, mas como não vem é necessário cada vez mais projetos de educação ambiental nas escolas para que as futuras gerações preservem os recursos que ainda existirem, e tentar enquanto isso salvar o que for possível.


http://www.cfmv.gov.br/traficodeanimais/


#saúde #tytofurcata

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Kátia Boroni é jornalista, e escreve sobre Falcoaria, aves de rapina e

Educação ambiental para os sites Diário de Falcoaria e Corujando por aí. 

 

Kátia Boroni is a journalist, and writes about Falconry, birds of prey and environmental education for the websites Diário de Falcoaria and Corujando por aí.

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