• Kátia Boroni

A favor dos zoológicos



Vivemos a cada dia mais isolados da natureza. Ela, distante e cada vez mais destruída, cada vez mais esquecida, grita por socorro mas nós não a ouvimos. Seus gritos de socorro abafados pela nossa cobiça sem limites, pela nossa falta de empatia, pela nossa distância. Alguns surgem dizendo que lugar de bicho é na natureza, e eu pergunto? Que natureza? A mata cada vez mais fragmentada, com falta de alimento onde ou os animais morrem de fome ou são caçados pelo tráfico? Onde morrem queimados por conta da irresponsabilidade e da ganancia do ser humano?

Eu sempre digo “ Só amamos o que nós conhecemos, e só protegemos o que amamos”. Sem o contato com os animais que os zoológicos promovem, que futuro terão os animais? Sem os profissionais que lá trabalham cuidando das espécies ameaçadas de extinção pelo mais cruel ser que habita este planeta, NÓS, que futuro teremos? Sim, eu defendo os zoológicos, os criatórios legalizados, todos os profissionais que dedicam suas vidas a salvar o que ainda resta da nossa fauna e flora nativas. E defendo acima de tudo que vivamos cercados de animais, domésticos, silvestres, exóticos, porque eles através da sua pureza de alma e energia são os únicos que ainda podem nos salvar de nós mesmos.

O texto a seguir é de Marco Squeff, e relata a situação da fundação zoobotánica do rio grande do sul. Leiam, compartilhem, ajudem a salvar a fundação e os animais que lá vivem.

PARQUE ZOOLÓGICO DA FUNDAÇÃO ZOOBOTÃNICA DO RIO GRANDE DO SUL

Marco Squeff

13/03/2018.

Através da Lei Estadual n. 14.982/2017, foram extintas 6 (seis) Fundações no Rio Grande do Sul, dentre elas a Fundação Zoobotânica do RS, juntamente com seus órgãos executivos, Museu de Ciências Naturais, 63 (sessenta e três) anos, Jardim Botânico de Porto Alegre, 63 (sessenta e três) anos e Parque Zoológico, 56 (cinquenta e seis) anos. Com esta extinção haverá grande prejuízo para a pesquisa científica básica realizada pelo Museu de Ciências Naturais desde a época do cientista Padre Balduíno Rambo em 1955 ; coletas botânicas para a ampliação das coleções do arboreto e do banco de sementes, atividades essas vinculadas ao Jardim Botânico - enquadrado na Categoria "A" pela Comissão Nacional de Jardins Botânicos e do Parque Zoológico do Estado (PZ), com o cancelamento de serviços do CETAS (Centro de Triagem de Animais Silvestre) vítimas de maus tratos e do tráfico. E a demissão de 192 servidores somente da FZB, já que ele está em vias de terceirização, aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado e sancionado pelo Governador José Ivo Sartori, através da Lei n.º 14.982 de 16/01/2017.

O zoo possui área de 160 hectares, e dispõe de um plantel de 1.024 animais de 125 espécies da fauna nativa e exótica (estrangeira), possuímos 70 (setenta) recintos para uma melhor adequação desses animais, de acordo com normas emanadas pelo IBAMA. Estes recintos possuem áreas recomendadas, com metragem quadrada adequada para que os animais possam desfrutar de locais mais amplos, possibilitando assim, melhorias na qualidade de vida deles que vivem sob os cuidados humanos.

O Parque Zoológico administra a Reserva Florestal Pe. Balduino Rambo criado pelo Decreto n. 41.891, de 16 de outubro de 2002, com a área de 780 hectares, com as seguintes características: 304 hectares composto de horto florestal, 316 hectares de áreas alagadas, e mais 160 hectares do Parque Zoológico, localizado estrategicamente no centro da área desta Reserva.


Mico leão da cara dourado, Parque Zoológico da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul.

É responsável pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS), que recebe média anual de 1.550 animais, em sua maioria vitimas de tráficos ou de maus tratos, como: aves, répteis, mamíferos e anfíbios. Essas apreensões são fruto das fiscalizações do IBAMA, Patrulha Ambiental da Brigada Militar (Patram), Policia Rodoviária Federal (PRF) e Prefeituras, abrangendo todo Estado do Rio Grande do Sul. Além de receberem atendimento e tratamento médico veterinário, alimentação, medicados, são reintroduzidos na natureza, dependendo do estado de saúde e sua recuperação.

O Parque Zoológico se constitui num prolongamento da escola, é aqui que são realizados cursos para formação de professores, da rede municipal, estadual e privadas, atendemos cerca de 300 professores por ano, em curso de 8 horas de duração, (teoria e prática), do Projeto: “Zoo Como Espaço Educativo”. Após o treinamento, esses professores transformam-se multiplicadores, que atingem mais de 40 mil estudantes das redes públicas, municipais, estaduais e particulares, transmitindo o conhecimento adquirido nos cursos, ampliando assim, a importância e o respeito ao meio ambiente e aos recursos naturais renováveis.

No mês de agosto de 2016, o Parque Zoológico da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul sediou um Workshop sobre educação ambiental, em parceria com os Educadores Ambientais de Zoológicos e Aquários do Brasil- FZB-SZB, além da Prefeitura Municipal de Sapucaia do Sul, de 18 a 20 de agosto, com 42 participantes, de 5 (cinco) Estados do Brasil.

O Parque Zoológico recebe anualmente mais de 400 mil visitantes do Rio Grande do Sul e de outros Estados, como: Santa Catarina, Paraná, e do exterior como Uruguai e Argentina.

No ano de 2017, recebemos 650 excursões escolares da rede municipal estadual e particular, totalizando aproximadamente 300 mil alunos visitantes.

Com a necessidade de adequação aos novos tempos, o corpo funcional se mobilizou e realizou Ações, que começam a surtir efeitos positivos para manutenção do Parque. Como a criação da Associação dos servidores do Parque Zoológico, com o “Zoo Melhor” e “Zoo Ação”, através de mobilizações internas de servidores que dedicam seus momentos de folga, dando informações aos visitantes e público visitante, sobre as características de cada animal e maneira em que são tratados, como manejo para tratamento médico-veterinário, e em eventos comemorativos, divulgando a importância e relevância do Parque para a comunidade Sul-rio-grandense.


Lago Central do Parque Zoológico da Fundação Zoobotânica do Estado do Rio Grande do Sul.

Somos uma instituição produtiva e dedicada a ações de meio ambiente e a conservação e preservação dos recursos naturais renováveis, formamos um pequeno grupo, mas com um imenso potencial produtivo, competente, treinado e dedicado a essa instituição que tanto amamos.

Não queremos, portanto, ser protagonistas de uma tragédia com a extinção da FZB e a terceirização do zoo, queremos sim, continuar colaborando com os Órgãos Públicos e com a comunidade em geral.

Não poderíamos deixar de mencionar que no interior do Parque Zoológico, possuímos uma exuberante vegetação com inúmeras espécies de flora do Rio Grande do Sul, são mais de 100 espécies arbóreas e arbustivas que embelezam e enriquecem nosso parque, criando assim, um verdadeiro oásis térmico, que proporciona clima agradável com muita sombra, para a realização de piqueniques, churrascos e brincadeiras ao ar livre, dedicando esses espaços para nosso público visitante.

Oportunizamos, na primavera a contemplação das mais variadas floradas que ocorrem em nosso Parque, na qual, denominamos como o período de explosão e multiplicação de vida animal e vegetal.

Outras realizações, que não poderíamos deixar de mencionar, algumas das quais e estrema relevância: como a produção de alimentos, com áreas de lavouras e pastagens, num espaço de 12 hectares, reservado para esse fim onde são produzidos alimentos sem uso de agrotóxicos. Dos alimentos produzidos destacamos: aveia (branca e preta), cana de açúcar, milho, capim elefante, azevem, alfafa, Mileto, couve, rabanete, nabo, beterraba, abobora, cenoura, e vários tipos de hortaliças e verduras de grande importantes para diversificação da alimentação dos animais.

São colhidos diariamente 1.300 quilos de pasto para os herbívoros, e mais, possuímos um pomar com mais de 100 frutíferas, (laranjeiras, limoeiros, caquizeiros, pereiras, goiabeiras, mamoeiros e bananeiras que ajudam na diversificação alimentar do plantel animais, em cativeiros e aos que estão em vida livre no parque zoológico.

O Parque Zoológico pertence a todo o povo sul-rio-grandense, que com visão de futuro o projetaram para as futuras gerações.

mars/-.

#educaçãoambiental #Corujandoporaí

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Kátia Boroni é jornalista, e escreve sobre Falcoaria, aves de rapina e

Educação ambiental para os sites Diário de Falcoaria e Corujando por aí. 

 

Kátia Boroni is a journalist, and writes about Falconry, birds of prey and environmental education for the websites Diário de Falcoaria and Corujando por aí.

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