• Kátia Boroni

Falcoaria no Antigo Egito



De acordo com as recentes descobertas da equipe do Egiptólogo Dr. Salima Ikram é bem provável que sim!

É uma tarefa quase impossível determinar com exatidão quando a Falcoaria começou, já que esta arte é tão antiga que tudo indica que sua origem data de épocas anteriores à tradição escrita. Graças a recentes descobertas arqueológicas, entretanto, a hipótese de que a falcoaria tenha sido praticada no Antigo Egito é cada vez mais forte.


Os falcões fazem parte da simbologia egípcia, aparecendo como símbolo de dois dos Deuses mais importantes de sua mitologia: Rá e Hórus.

Rá é considerado o Deus do Sol do antigo Egito, durante o período da Quinta dinastia ele se tornou uma das principais divindades, identificado com o sol e sempre representado com a cabeça de um falcão. Seu centro de culto principal era a cidade de Heliópolis. A espécie de falcão normalmente encontrada mumificada como oferenda é o Falco tinnunculus, conhecido como peneireiro vulgar.

Hórus é o Deus dos céus, filho de Osíris e Ísis. É representado com a cabeça de falcão, e seus olhos representavam o sol e a lua. Seth conhecido como Deus do Caos mata seu pai Osíris, e na luta por vingança e pelo comando do Egito Hórus perde o seu olho esquerdo, e passa a usar um amuleto no local, chamado de olho de Rá (posteriormente conhecido como olho de Hórus). Este amuleto simbolizava o poder real e foi o amuleto mais utilizado no Antigo Egito, sendo popular até hoje já que se acredita que o amuleto, agora chamado também de Wedjat, afaste o mau olhado.


Estátua do Deus Hórus no Templo de Edfu (também conhecido como Templo de Hórus), Egito.

De acordo com o estudo publicado em 2015 no Journal of Archaeological Science, Dr. Salima Ikram, (professor de egiptologia na Universidade Americana no Cairo) e sua equipe sugerem que os Egípcios reproduziam aves de rapina em cativeiro. A descoberta se deu após análise de uma múmia de um falcão peneireiro vulgar (Falco tinnunculus) que sofreu uma alimentação forçada de camundongo, o que provocou a sua morte. Já era questionado como os Egípcios conseguiram tantas aves de rapina para oferecerem em sacrifícios sendo mumificadas, mas só agora há indícios de uma possível reprodução e manejo destas aves em cativeiro, como diz o Dr. Salima Ikram:

“A ideia de que as aves de rapina foram criadas até o ponto de serem mantidas e submetidas à uma alimentação forçada é nova ".

Normalmente as vísceras eram retiradas dos corpos durante o processo de mumificação, porém alguns animais eram mumificados com seus corpos completos, o que permite os especialistas analisarem o seu conteúdo estomacal. Este foi o caso deste falcão em particular, e por isso foi possível analisar qual teria sido sua última refeição. Foi encontrada a cauda de um camundongo (Mus musculus), o que indica que o falcão morreu por alimentação forçada causando asfixia. Os resultados dos exames do seu trato digestivo mostram que ele já havia se alimentado com outro camundongo naquele dia, além de terem encontrado também outros fragmentos de camundongos e até mesmo de um pardal.


Esta descoberta foi celebrada pelo Dr. Salima Ikram, já que sugere uma explicação para o mistério do enorme número de múmias de aves de rapina, assim como demonstra a possibilidade do uso destas aves também para a falcoaria.

"Até agora, o número enorme de múmias de aves de rapina era um mistério - eles as pegavam ou as capturavam e as matavam, ou as coletavam de ninhos, ou as encontravam mortas? (...) Nossos resultados explicam por que eles tinham tantas: agora pensamos que foi por causa da reprodução ativa. (...) Em conjunto, esses fatores fornecem, pela primeira vez, fortes indícios de que os antigos egípcios mantinham essas aves em cativeiro, com a possibilidade de terem também estabelecido um programa de reprodução em cativeiro, favorecendo a oferta de machos sobre fêmeas. (...) Isto estabeleceria a possibilidade de um programa controlado de reprodução em grande escala para aves de rapina no Egito, conduzindo à especulação sobre seu possível uso na falcoaria.”

Dr. Salima Ikram (tradução nossa)



Ainda há muito que se descobrir sobre a fascinante civilização egípcia, e quem sabe com mais estudos poderá ser comprovado que a falcoaria foi praticada pelos faraós? Com certeza isto levaria a expressão pela qual a falcoaria era conhecida na era medieval como o “Esporte dos Deuses” a um novo patamar.

Fonte:

http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-3221547/Ancient-Egyptians-falconers-Mummified-kestrel-reveals-birds-prey-bred-preserved-huge-numbers-offering-gods.html

#FalcoariaFalconrycetreria #diariodefalcoaria

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Kátia Boroni é jornalista, e escreve sobre Falcoaria, aves de rapina e

Educação ambiental para os sites Diário de Falcoaria e Corujando por aí. 

 

Kátia Boroni is a journalist, and writes about Falconry, birds of prey and environmental education for the websites Diário de Falcoaria and Corujando por aí.

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