• Kátia Boroni

História de uma ave: Amarití



História de uma ave: Amatíri

(Falco sparverius)

Hoje vamos acompanhar uma parte do treinamento da ave Amatíri, uma fêmea de falcão quiri quiri (falco sparverius) do iniciante na falcoaria Marco Antonio, mais conhecido como Marquim. Boa leitura a todos!

Relato do treinamento da Amatirí (Falco sparverius)


Olá pessoal, sou o Marco Antonio, o Marquim, e contarei para a os principais fatos do treinamento que venho realizando com Amatirí até a presente data de 2/5/2016.

Desde minha adolescência há 20 anos, quando tive meus primeiros contatos com as aves de rapina, sempre tenho observado e admirado essas magníficas aves, e no final do ano de 2013 aumentou meu desejo de possuir uma ave para falcoaria. Encontrei através da internet um primeiro contato com o projeto AMAR e o grupo CENAR onde tive grande ajuda no início dos estudos. Resolvi então tentar fazer os equipamentos necessários para a prática da falcoaria, e de lá pra cá venho me aperfeiçoando e os confecciono de maneira satisfatória.


Equipamentos feitos para Amarití

Agora que estava me sentindo confiante para adquirir a primeira ave, eu planejei adquirir uma no final deste ano, mas surgiu a oportunidade da compra de uma ave de uma pessoa que estava sem tempo para treiná-la. Fechamos o negócio e a busquei em São Paulo, SP, é uma Falco sparverius nascida em outubro de 2015, a qual não tinha nome, e dei o nome de Amatirí, que significa raio na língua Tupinambá.


A ave chegou dia 1/4/2016,mansa mas não queria contato comigo, estava arredia e por vezes até agressiva, estava com peso alto 118 grs ( meu pedido ao antigo dono para evitar problemas de estresse na viagem). Imediatamente após a chegada ofereci codorna a qual a ave demorou a demonstrar interesse, mas comeu depois. Deixei passar a noite ao lado da nova luva e demais equipamentos no poleiro que ela já usava. Pela manhã do dia 2/4/2016 pesei ela e vi que metabolizou 6grs. À tarde a coloquei na nova luva, que estranhou de início mas não demorou em acostumar, e a levei pela primeira vez ao campo de treinos onde coloquei ela num poleiro de campo e ofereci codorna que ela comeu de imediato. Para tentar diminuir a agressividade passei com ela o maior tempo possível na luva, levei ela na casa de parentes e amigos. A iniciativa que deu bons resultados.

No dia seguinte sempre à tarde voltei com ela ao campo, onde tentei oferecer codorna na luva, mas apesar de ela já ter feito vôos ao punho com o antigo dono ela não quis, então seguindo as orientações de um amigo falcoeiro experiente ofereci com uma varetinha e ela aceitou, fui diminuindo a distância até que ela já aceitava direto da minha mão.

Alimentação na mão


Então comecei a baixar o peso para dar início aos treinos. Depois dessa etapa comecei a alimentá-la com picadinhos na luva que ela saltava e pegava e fui aumentando a distância gradativamente até ela saltar a três metros de distância. A etapa seguinte foi o fiador que eu fazia com um arame esticado entre dois troncos, onde colocava uma argola para amarrar a leash e a argola corria toda extensão do arame. Eu comecei a chama-la a três metros e fui sempre aumentando, e no final do primeiro treino com o fiador já apresentei o lure a ela com a carne correspondente ao seu total da alimentação diária , fora o picadinho da luva.

Amatirí no fiador


Foram poucos dias de treinos e com o peso baixando cada dia mais ela já atendia a chamados no fiador a 40 metros de distância, foi quando ao 19° dia de sua chegada, com o peso de 89grs e respondendo de imediato às chamadas foi o dia de voar livre pela primeira vez, o que ocorreu sem problemas e sempre finalizando com o lure com bastante comida. (90% da alimentação diária.

Primeiro vôo livre


Voo livre à longa distância


Nesses dias de vôo livre ocorreu um imprevisto, ventava um pouco e Amatirí começou a brincar no vento fazendo algumas manobras e se distanciou um pouco, como já estava escurecendo não vi onde ela pousou, chamei por três vezes na luva e nada, somente quando rodei o lure que ela apareceu nem sei de onde. Os últimos dias tenho feito bastantes vôos verticais e horizontais com ela para uma boa musculatura, em breve voltarei ao campo para concentrar nas passadas ao lure.

Pessoal um grande abraço a todos, por hora é isso, só lembrando que é um relato pessoal sem a intenção de ensinar, ainda estou no aprendizado e muito feliz com os resultados.

Até mais.

Marco Faustino



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Kátia Boroni é jornalista, e escreve sobre Falcoaria, aves de rapina e

Educação ambiental para os sites Diário de Falcoaria e Corujando por aí. 

 

Kátia Boroni is a journalist, and writes about Falconry, birds of prey and environmental education for the websites Diário de Falcoaria and Corujando por aí.

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