• Kátia Boroni

Veneno? Diga não!



A postagem anterior trouxe o vídeo do projeto Raptors are the solution (Rapinantes são a solução) e nos leva à refletir sobre a importância de se eliminar o uso de raticidas de segunda geração (brodifacoum). O Projeto RATS tem a seguinte proposta:


"Rapinantes são a solução (RATS) educa as pessoas sobre o papel ecológico das aves de rapina em áreas urbanas e selvagens e sobre o perigo que elas enfrentam com o difundido uso de veneno de rato. Rats é um projeto do Instituto Earth Island, classificado com quatro estrelas pela Charity Charity Navigator. Temos parcerias com outras organizações sem fins lucrativos, agências, cientistas, cidades e outros a trabalhar no sentido de eliminar raticidas tóxicos da cadeira alimentar. Nosso objetivo é ver todos os anticoagulantes e outros raticidas venenosos retirado do mercado e não mais usados por empresas de controle de pragas devido aos seus perigos para as crianças, animais de estimação, e os animais selvagens.

Anticoagulante e outros produtos de veneno de rato projetados para matar roedores também estão matando aves de rapina, cães e gatos, e muitas espécies de animais selvagens, incluindo várias espécies ameaçadas de extinção. Estes produtos também estão envenenando as crianças, mesmo quando os produtos são utilizados em conformidade com as instruções nas embalagens. De acordo com a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, entre 1999 e 2003, 25.549 crianças menores de seis anos de idade tiveram sintomas de intoxicação após a exposição a raticidas. Setenta e dois por cento tinham sido expostaa a uma segunda geração de anticoagulantes raticidas, brodifacoum.

Em 2008, a EPA dos EUA determinou que vários raticidas de segunda geração colocavam em um "risco razoável" as crianças, animais de estimação, e os animais selvagens. RATS foi fundada em São Francisco em 2011 depois que falcões do tanoeiro (Cooper’s hawks) estavam caindo mortos nas ruas por terem comido ratos envenenados." RATS

Daí vem a importância da educação ambiental e do nosso papel como propagadores desta informação, do perigo que é usar veneno em sua casa, no seu terreiro, na sua rua. Após ser jogado ou mesmo colocado dentro de caixas-isca, o veneno sai totalmente do seu controle, e até onde ele irá ninguém pode prever, e nem mesmo os dados que serão causados por ele.

Eu coloquei legendas neste vídeo do projeto RATS que nos alerta sobre o uso destes raticidades e os perigos que eles causam aos animais domésticos, silvestres, e crianças.


Sharmayne Magana Steffenon et all, no texto Ingestão acidental de brodifacoum por um cão, publicado na revista Revista de Ciências Agroveterinárias, relatam o caso de envenenamento acidental por um cão da raça pinscher com 3 anos de idade e 2kg, tendo ingerido dois pacotes de um raticida à base de brodifacoum. Após o tratamento emergencial o cão conseguiu se recuperar, feito que nem sempre é possível, devido à potência deste veneno. No seu texto os autores alertam quanto ao perigo do uso deste veneno para os cães:

Produtos utilizados para controle de roedores ocupam a terceira posição entre as causas mais comuns de exposições a agentes tóxicos em cães. Cerca de 20% dessas exposições resultam em intoxicação (OSWEILER, 1998). A terapêutica adequada e o tempo decorrido entre a ingestão e os primeiros procedimentos são os principais fatores determinantes do sucesso do tratamento, o qual pode ocasionar distúrbios de coagulação e morte do paciente, se não for bem conduzido. “ Steffenon et all, 2013

Mesmo o veneno tendo sido criado especificamente para roedores, isso não quer dizer que o seu estrago não será grande em outros animais. Cães e gatos podem encontrar facilmente o veneno e comerem achando se tratar de algum tipo de ração.

Sabe-se que a ingestão de raticidas em forma de iscas representa uma grande parcela dentre os casos de toxicose em cães. Acredita-se que a ingestão de iscas seja maior em relação às outras formas de apresentação dos raticidas por serem palatáveis e de odor atraente.

Muitas vezes você nem irá perceber que o seu cão ou gato ingeriu o veneno, pois não haverá traços dele, apenas os sintomas no seu cão. Se ele não for encontrado a tempo, suas chances de sobrevivência serão muito pequenas.

“O atendimento emergencial precoce e o fato do proprietário ter confirmado a ingestão do raticida foi de grande importância para o sucesso da terapia, entretanto, na maioria dos casos o atendimento é tardio e não se tem a certeza da ingestão da substância.” Steffenon et all, 2013


Infelizmente no Brasil a venda de venenos é ainda mais indiscriminada do que em outros países, e é muito fácil encontrar o famoso “chumbinho”:

Chumbinho (no BR) é um produto clandestino, irregularmente utilizado como raticida. Não possui registro na Anvisa, nem em nenhum outro órgão de governo. O agrotóxico aldicarbe (carbamato Aldicarb) figura como o preferido pelos contraventores, encontrado em cerca de 50% dos ‘chumbinhos’ analisados, a outra metade são organofosforados diversos. Estudos comprovam que seu uso como raticida não é eficiente. Apesar do rato, após comer o veneno, morra bem próximo ao alimento envenenado, os estudos do hábito dos ratos demonstram que comumente é o mais velho o primeiro a se alimentar, e, logo que ele morre, os mais novos rejeitam o alimento, sendo então aconselhável os anticoagulantes registrados na Anvisa, que, apesar de provocarem uma morte mais lenta, permitem uma maior abrangência do veneno. (WIKIPEDIA)

Enquanto as pessoas não tomarem consciência dos perigos de uso de venenos para ratos, milhares de histórias tristes de envenenamento de animais de estimação continuarão ocorrendo a cada dia. Infelizmente eu passei por isso em duas ocasiões, e só houve final feliz em uma delas.

Uma pessoa tem problemas com ratos de telhado, então ela tem a brilhante idéia de jogar veneno em cima do telhado, dentro das calhas, pensando que assim os ratos irão morrer e ele ficar livre de uma vez desta praga.


O engano não poderia ser maior. Os ratos mais espertos do que imaginamos percebem que aquela isca é veneno e não comem dela depois que um ou outro morreu. O vento leva as iscas ao quintal do seu vizinho e assim matam cães ou gatos que nada tinham a ver com a história. A justificativa de “poxa, eu não sabia que isso poderia acontecer” é a mais escutada, e não traz nenhum conforto. Se é de mais informação que o povo precisa, então que sejamos os propagadores desta informação e evitemos que casos de envenenamento acidental ocorram a cada dia.

Claro que também há os casos de pessoas más que envenenam propositalmente cães e gatos, mas este é outro caso. O importante é evitar pessoas de bem de matarem animais domésticos e selvagens por falta de informação correta. Portanto, tenham cuidado e evitem o uso de veneno de ratos, protegam os animais domésticos e silvestres e deixem que as aves de rapina façam o seu trabalho!

Abraços,

Kátia.


Referências:

Projeto RATS - http://www.raptorsarethesolution.org/

Sharmayne Magana Steffenon¹, Tiago Zim da Silva², Gabriela Reis Ledur², Daniel Guimarães Gerardi². Ingestão acidental de brodifacoum por um cão. In: Revista de Ciências Agroveterinárias. Lages, v.13, n. supl., p.43-44, 2013. Disponível em :

http://revistas.udesc.br/index.php/agroveterinaria/article/viewFile/5517/3744

Acesso em: 16/12/15

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Kátia Boroni é jornalista, e escreve sobre Falcoaria, aves de rapina e

Educação ambiental para os sites Diário de Falcoaria e Corujando por aí. 

 

Kátia Boroni is a journalist, and writes about Falconry, birds of prey and environmental education for the websites Diário de Falcoaria and Corujando por aí.

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