• Kátia Boroni

Resumo do livro "O falcão quiri quiri na Falcoaria Moderna"

Atualizado: há 3 dias


Resumo do Livro American Kestrels in Modern Falconry, de Matthew Mullenix.

Feito por Kátia Boroni

O Falco sparverius é um falcão incrível, mas desvalorizado por alguns falcoeiros que o acham pequeno ou frágil demais. É por muitos considerado como a ave ideal para os iniciantes na falcoaria, porém para outros é a pior para começar devido ao seu delicado controle de peso. Em entrevista recente ao Manuel Diego Pareja-Obregon Reyes, disponível aqui no blog Diário de Estudos de Falcoaria, ele nos disse que na Espanha a tradição é começar com um sparverius (Cernícalo), a não ser que você tenha um tutor para acompanha-lo no campo, nestes casos o ideal seria começar com um Harris (parabuteo).


Para esclarecer mais sobre o manejo e treinamento desta espécie tão incrível, farei a seguir um resumo do livro American Kestrels in Modern Falconry, de Matthew Mullenix. O livro também tem uma versão em espanhol chamada de El Cernícalo Americano em la cetrería moderna. Lembrando de que o livro fala sobre a falcoaria nos Estados Unidos e cita leis e normas que não existem no Brasil, por isso nem tudo pode ser aplicado aqui. Espero que ao final da leitura deste resumo vocês leiam o livro completo!

Breve histórico

O cernícalo americano (falco sparverius) é o menor e o único que se reproduz nos EUA. No norte as aves são maiores do que no sul, os machos são menores com limite inferior a 70g e as fêmeas podem alcançar 165 g. A plumagem varia de acordo com o sexo, sendo os machos mais coloridos.


Muitos consideram o sparverius como uma ave principalmente insetívora, e vários estudos comprovam que o falcão se alimenta principalmente de vertebrados (mamíferos, aves e répteis). Claro que os sparverius selvagens caçam insetos, e podem ser a caça mais numerosa, porém também a menos calórica. O autor cita um estudo feito por Smith e Murphy (1973) que estimaram que a dieta do cernícalo americano em Utah consiste em:

38% de mamíferos

57% de aves

2% de invertebrados

A presa vertebrada mais importante é o estorninho (Strurnus vulgaris) e rato veadeiro (Peromyscus maniculatus).

Normalmente os sparverius buscam suas presas saindo de um poleiro, e então a atacam e a capturam no solo, ao contrário do que muitos acreditam que sua técnica principal de caça seria de peneirar no ar e perseguir as presas em voo. Por isso que a maioria dos sparverius treinados obtém suas presas de surpresa mediante um rápido lance direto do punho.

Uso na Falcoaria

Os cernícalos comuns (falco tinnuncuus) eram reservados para os novatos na Europa Medieval, e eram pouco considerados na época. Hoje em dia são pouco utilizados para caça, e tem baixa estima entre os autores Britânicos (Ford 1992) e acabam manchando a reputação do seu parente falco sparverius. O cernícalo comum pesa aproximadamente o dobro do americano e é capaz de caçar uma variedade de aves como presa. A maioria das capturas é no solo mediante lances curtos e próximos, porém esta ave é extraordinariamente aérea e o cernicalo comum tem mais oportunidade de caçar uma presa se o treinar voando por altanaria.

As primeiras descrições de caça com o cernícalo americano (falco sparverius) mostra uma lista de êxitos modesta, e o autor cita alguns falcoeiros como Fran e John Craihead, Fran Hamerstrom, James N. Layme, entre outros.

Segundo o autor o falco sparverius é hoje a única ave com a qual é possível praticar falcoaria em áreas desenvolvidas com estorninhos e pardais domésticos como suas presas principais. Com a ajuda de um lance curto, o sparverius consegue capturar centenas de estorninhos em cada seção, os pardáis podem ser caçados com prontidão. O voo do sparverius é geralmente curto, ainda que ele possa nos surpreender às vezes com longos voos a perder de vista. Isso faz com que ele seja a ave perfeita para os falcoeiros que vivem em áreas suburbanas como a maioria hoje. A velocidade destas aves não é muito grande, mas são agressivos, ágeis e decididos em pequenas distâncias. São predadores de presas desde alguns gramas até duas vezes o seu peso. Preferem avistar sua presa desde um poleiro, porém podem adotar os estilos mais agressivos de esmerilhões e accipters quando for conveniente. Com o tempo aprendem a emboscar suas presas e a persegui-las até fazê-las pousarem no chão. Podem caçar pardáis através de bloqueios em voos verticais. O seu controle de peso requer atenção, de forma que manejando corretamente e com precisão se pode tirar o melhor partido da ave.

Escolhendo um pássaro

O autor cita a importância de escolher corretamente que tipo de pássaro você prefere (Niego, pasajero o zahareño) e também o sexo, de acordo com o trabalho que será feito com ele. Lembrando que nos EUA é possível capturar pássaros da natureza para posterior soltura, o que não se aplica no Brasil. Portanto só temos as opções de escolher se será uma ave parental (criada pelos pais), dual imprint ou total imprint.

O autor prefere os sparverius pasajeros, ou seja, capturados com um ano de idade, pois com um manejo cuidadoso crescem quase tão mansos como os niegos (retirados do ninho) e se são voados com regularidade tem o potencial de adquirir velocidade no estilo dos zahareños (pássaros capturados adultos).

Macho ou fêmea?

Não há pássaro que um macho não possa caçar que a fêmea também não consiga fazer, mas há algumas presas que são mais fáceis para a fê

Manejo e treinamento

Além de um parceiro de caça ele se torna um membro da família. Estes pequenos e atraentes falcões podem rapidamente encantar a esposa e filhos. Isso é benéfico tanto para o falcoeiro quanto para o falcão. Para favorecer o amansamento e treinamento do sparverius o autor prefere reservar um espaço para ele na sala de sua casa, e seu poleiro deve ficar sempre a vista enquanto a família realiza suas atividades diárias. O contato com pessoas e animais domésticos deve ser realizado o quanto antes.

Os primeiros momentos de manejo do falcão são os piores e mais traumáticos, tanto para o falcoeiro quanto para a ave. A ave pode se agitar e debater, dar patadas, se pendurar de cabeça para baixo no poleiro, piar insistentemente. Alguns exemplares ficam calmos no primeiro dia para no seguinte mostrarem sua fúria.

Assim que chegar o falcão deve-se tentar dar o primeiro alimento, caso ele recuse deixe mais tarde e vá tentando oferecer comida em intervalos regulares. Uma primeira ração boa pode ser um pardal ou ratinho fresco, se ele comer bem pode passar a dar pedaços descongelados de estorninho.

A água é essencial, especialmente para as pequenas aves de rapina, portanto gotejar água nas suas garras ou ajudar com uma seringa atrasará a sua desidratação e melhorará a confiança entre a ave e o falcoeiro. Oferecer pedacinhos de comida e gotas de água nas suas garras é uma técnica perfeita para eles e demais falcões.

A redução de peso é muito importante para o manejo e amansamento, e ainda sim é um grande desafio para os falcoeiros. Nos facões pequenos o ritmo de perda de peso deve ser manejado com exatidão, inexatidões descuidadas podem levar a consequências dramáticas. Nos apêndices do livro há exemplos de pesos de voo e calendários de redução de peso, mas nunca deverão ser considerados como absolutos ou definitivos, apenas como base.

A redução de peso durante a primeira semana pode consistir em dois ou três gramas por dia, neste tempo o falcoeiro irá estimular o pássaro com voos ao punho para alimentá-lo, enquanto continua expondo a ave à família, animais, amigos e a sua rotina.

Depois de uma semana o ritmo de perda de peso deve se reduzir a um ou menos de um grama por dia. Assim que ele voar fora de casa a redução de peso deve se limitar a quantidades de décimos de grama por dia.

Amansamento

Os sparverius são considerados como falcões muito dóceis e que são rapidamente amansados, porém sem um programa de redução de peso eficaz e sem um programa de treinamento isto poderá não acontecer. Se ele estiver muito rebelde, uma vez treinado, pode ser introduzido na caça de estorninhos, talvez melhor do que nos pardais que são mais velozes e mais provável dele carregar a presa. Desta forma ele irá se amansando através da rotina de caça e da repetição de voos ao punho para receber sua comida.

A maioria dos sparverius terão se acalmado totalmente ao redor da quinta semana de cativeiro e treinamento (lembrando que ele se refere à pássaros coletados). Para um falcão que será manuseado regularmente para ser examinado para detectar pequenos danos ou feridas é necessário que ele se mantenha o mais manso possível.

Passo a passo do treinamento

O autor propõe um passo a passo das lições de treinamento, que não se diferem às outras espécies, e que não se deve passar a lição seguinte antes da anterior ter sido totalmente completada.

  1. Mantê-la no punho

  2. Retornar ao punho depois de uma debatida

  1. Comer no punho

  2. Manter-se no poleiro

  3. Voltar ao poleiro depois de uma debatida

  4. Saltar ao punho

  5. Saltar ao lure

  6. Voar ao lure com fiador ao ar livre

  7. Voo livre

  8. Introdução à caça

A rapidez depende do falcão e do falcoeiro, portanto o processo pode levar aproximadamente quatro semanas desde a captura à caça efetiva. Importante é sempre voar o sparverius em campo aberto, livre de estruturas densas ou com muitas árvores, visto que seu comportamento fica muito assustadiço em áreas arborizadas por medo de predadores.

Equipamento

O ideal é mantê-lo dentro de casa, pelo menos durante a temporada de caça, assim se controla melhor o seu peso e melhora a sua socialização com a família. Mantê-lo em um viveiro de muda é perigoso já que ele voará livre e queimará importantes calorias o que o deixará cansado para caçar, portanto o melhor é mantê-lo em viveiro de muda apenas quando ele tiver abrasões nas patas que o impeçam de ser amarrado no seu poleiro.


Os bancos para sparverius são normalmente muito bonitos mas um perigo por causa da combinação de baixo peso do equipamento e do hábito das aves girarem ao redor do poleiro, o que conferem a estes poleiros em banco um risco desnecessário de estrangulamento. Sob nenhuma circunstancia deve se usar bancos como equipamento para o sparverius, para eles é melhor os poleiros em arco. Estes são pesados e fáceis de fazer e limpar, e oferecem poucas possibilidades de que o sparverius fique dependurado da trela.

Poleiro

15,24cm de altura e o ápice e o diâmetro do circulo é de 35,5cm. Possui um forro de grama artificial ou astroturf que cobre não mais do que 7,6 cm do arco e está fixada no mesmo mediante um fio de cabo elétrico. A grama artificial deve ser de boa qualidade e não causar obstáculo para o livre deslizamento do anel de fixação.

Anel

Pelo menos 7,5cm de diâmetro. Neste anel se coloca uma trela permanente de uns 10 cm mediante um simples nó de marinheiro. A trela pode ser elástica ainda que a elasticidade causa dúvidas quanto ao seu benefício, já que alguns falcoeiros creem que ela pode causar danos e feridas nas patas. Qualquer material que você use deve ser curto e suficientemente rígido para evitar estrangulamentos.

Braceletes ou tarseiras

Braceletes/tarseiras largos de 1,9cm que cobrem quase todo o tarso. Esta largura é usada pelo autor para evitar feridas nas patas. Porém, Jennifer Coulson usa braceletes mais estreitos, de 1,27cm porque acredita que os largos causam mais ferimentos.

Os braceletes e jesses devem ser confeccionados em couro suave e fino, porém duradouro, sendo o melhor o couro de canguru e para melhorar a sua flexibilidade é recomendável usar vaselina ou creme hidratante. O autor aplica creme hidratante nas patas para reduzir a fricção antes de por as jesses. O risco de produzir descamações é grande nos primeiros dias de manejo.

Lures

Lure de treinamento: pesa ao redor de 90g e tem este peso para desestimular o sparverius de carregar a presa. Apresenta-se sempre no solo.

Lure de caça: pesa somente 30g, é suave e é elaborado para ser pego no voo pelo sparverius sem produzir dano em suas patas.

Luva

Alguns falcoeiros não usam luvas, porém os sparverius se sentem mais confortáveis quando comem e saltam pra luva, por isso é recomendável o seu uso.

Capuz

Pode ser problemático com os sparverius. O capuz tem que se ajustar perfeitamente e ser leve como uma pluma para obter sucesso na sua utilização.

Caixa para falcões

Uma solução para o uso do capuz pode ser feita de madeira ou plástico. É indispensável para o seu transporte, já que os sparverius sentem medo ao verem aves maiores próximas. Deve-se introduzir a caixa ao falcão durante a primeira semana de treinamento, e é ideal que tenha um poleiro dentro dela.

Telemetria

Hoje já existem sistemas de telemetria adequados à espécie, e podem ser usados sem afetar o voo destas pequenas aves.

Guizos

Não devem ser utilizados para não alertar a presa sob a silenciosa aproximação do sparverius.

Balança

É necessário que tenha precisão de 0,1g. O autor recomenda usar modelos mecânicos de braço triplo.

O jardim

A luz solar, o ar fresco e a água são indispensáveis para a saúde de uma ave de rapina treinada. Ao serem expostas ao meio ambiente regularmente as aves se mantem saudáveis e com plumagem saudável. Tradicionalmente se colocam os rapinantes em um poleiro exterior ao lado de uma vasilha para banho.

Para os sparverius não é recomendado deixar as aves sem fiscalização em ambiente aberto, já que seu tamanho pequeno os transforma em presas fáceis de outras aves ou gatos. Além disso, essa prática pode provocar lesões já que os sparverius se sentem desprotegidos e se debatem constantemente e piam muito.

Uma solução simples é colocar seu poleio e banho dentro de casa próximo á luz solar ou em uma varanda fechada por vidro. O autor mantém seu sparverius em uma parte de sua sala que é envidraçada e várias vezes por semana ele coloca a vasilha para o banho e na época de caça ele permite que sua ave tome banho durante uma hora antes ou depois da caça.

Introdução à presa

O sparverius deve ser introduzido à presa que temos a intenção de caçar. Para isso o método com mais êxito é usar o escape (apresentação de presa viva) sob condições muito favoráveis para que o falcão tenha êxito em captura-la.

(NT: O autor comenta que este procedimento de escape conhecido como “bagging” é uma prática que pode despertar repúdio por parte de alguns falcoeiros. Lembrando que o autor é dos EUA e lá essa prática é permitida. Na Europa o uso de escape é proibido por lei e considerado como crueldade em muitos países. Há muitos falcoeiros no mundo todo que acreditam que o uso de escape não é necessário para introduzir o rapinante à caça. Cabe ao leitor decidir qual caminho seguir).

Os sparverius podem necessitar de numerosos escapes de estorninhos e pardais antes de mostrar interesse para presas selvagens. É possível introduzir a presa a um sparverius sem usar o escape. Também se pode apresentar a presa através de lances fáceis a pequenos pardais em condições mais favoráveis, como quando estão dormindo em um celeiro. Esta aproximação natural é com certeza mais piedosa com a presa e o autor tem a tendência de recomendá-la ao invés do uso de escapes. Como é muito provável que o sparverius carregue a sua primeira presa, ele recomenda o uso de estorninhos amarrados nas primeiras capturas, tanto para evitar que ele carregue como para ensiná-lo a identificar este pássaro preto no solo como uma presa em potencial.

Usar a técnica do Carhawking para caçar com o sparverius também é recomendável, pois é a forma que proporcionam as melhores oportunidades de êxito para uma ave inexperiente. Segue o passo a passo:

1) Atar o estorninho em grama baixa, longe de zonas arborizadas, e a 4,5 ou 6 metros da beira da estrada. Usar uma longitude de 15 cm de corda.

2) Efetue lances com o falcão desde a janela do condutor do carro assim que a ave tenha visto o pássaro preso. Assim que o sparverius demonstre interesse dê um pequeno empurrão para incentivá-lo.

3) Assim que o sparverius prender o estorninho o falcoeiro deve matar a ave para que ela não sinta dor e não machuque o falcão.

4) Deixar que o sparverius dê uma picadas no peito, desde a mão, e assobios entre estas picadas reforçam a associação entre a caça real e a alimentação.

5) Depois que ele coma ¼ da presa (ou por volta de 5 gramas), deve-se oferecer um pedaço de carne na luva e esconder discretamente a presa.

6) Assim que o sparverius golpear e capturar sem vacilar a um escape ele estará pronto para a caça real. O falcão, apoiado na experiência com os escapes se mostrará motivado a atacar pássaros a qualquer distância. Por isso os primeiros lances devem ser fáceis para ir dando confiança ao sparverius.

Controle de peso

O controle de peso é o desafio mais importante da falcoaria com sparverius. Se você tiver êxito com estas pequenas aves, terá mais facilidade em manejar falcões maiores.

A resposta de peso em condições de caça de um sparverius oscila em dois ou três gramas. Muitos requerem a manutenção de peso com uma exatidão em torno de um grama. Não é uma tarefa fácil manejar a ingestão diária de comida de forma precisa para conseguir os objetivos desejados. Porém a manutenção do peso é, a princípio, um simples cálculo matemático, e quase qualquer pessoa pode aprender contando com muita atenção e tato delicado.

Passos importantes para manter o peso

1) Manter o pássaro em ambientes fechados.

As oscilações de temperatura em ambientes externos faz com que seja impossível alcançar o peso desejado. Se o mantemos em ambiente fechado com temperatura controlada, com uma dieta consistente e de alta qualidade, os sparverius perderão peso de maneira previsível.

2) Medir o peso frequentemente

È necessário dispor de um ritmo de horário de perda de peso, para estabelecer este ritmo nas primeiras duas semanas é necessário pesá-lo ao menos seis vezes por dia.

3) Fazer um registro de peso

Manter todas as anotações de peso perto da balança e anotar os pesos, dia e hora antes e depois de cada comida. O ritmo de perda de peso se calcula ao dividir o numero de gramas perdidas entre cada comida pelo número de horas transcorridas entre cada comida.

Com estas informações é possível prever o número de gramas que o pássaro perderá entre duas horas do dia. Em teoria a ave treinada poderá comer suficiente ao final de cada dia para assegurar que no dia seguinte estará novamente no peso de caça. Se necessário dar picadinhas para ajustar o peso. A meta é que o sparverius esteja no peso de caça todos os dias no horário adequado.


A perda de peso é maior durante o dia do que a noite, na maioria dos casos. O ritmo de perda de peso deve ser calculado como a media entre o ritmo noturno e o ritmo diurno.

Os fatores que incrementam este ritmo de perda de peso incluem:

  • enfermidades

  • Alimento de escassa qualidade (frango ou carne lavada)

  • Baixas temperaturas

  • Exercícios adicionais como saltos verticais repetidos ao punho

  • Impossibilidade de dormir

Fatores que desaceleram a perda de peso:

  • Alimentação de boa qualidade (rolinhas ou pombos)

  • sobrealimentação

Porém, se alimentamos pouco à tarde podemos retificar dando picadinhas pela manhã. Claro que perder por completo uma refeição diária resultará em desastre, podendo até mesmo levar sua ave a óbito.

Dieta


Sua dieta deve consistir em pequenos pássaros ou ratinhos completos matados recentemente. Os estorninhos e os pardais são particularmente bons. A carne destes pássaros é apetitosa e substanciosa, de digestão lenta e induz a uma boa perda de peso. Estas mesmas carnes conservadas no congelador e descongeladas perdem um pouco o seu valor qualitativo. Se não se encontra algo melhor podem ser usados temporariamente pedaços de coelho, esquilo, coração de galinha, pintinhos de um dia ou até mesmo insetos. As carnes lavadas tem um valor escasso. São potencialmente danosas: a carne branca de frango, as patas e os despojos de animais e os animais atropelados. A carne processada está fora de qualquer recomendação.

Os sparverius treinados podem caçar diariamente seu próprio alimento e as peças que sobrarem podem ser congeladas para uso futuro. Enquanto está em fase de treinamento é recomendável ter um estoque de 20 pássaros congelados e uma fonte próxima de ratinhos vivos.

Metodos de caça

Car Hawking ao longo de uma estrada

Lançar um sparverius a estorninhos enquanto eles se alimentam ao longo da estrada pode ser o método mais fácil de caçar. Os sparverius voados desta forma se tornam extremamente eficientes especialmente em lances de curta distância. Com este método segundo o autor é possível caçar de 100 a 200 estorninhos por temporada. Apesar de ser divertido e eficiente não se deve limitar apenas a este tipo de caça.

Os pássaros distantes quando descem para se alimentar podem ser capturados desde a luva em um lance longo. Voos de emboscada como os usados normalmente com pequenos accipters (gaviões) e esmerões. As emboscadas a longa distância são provavelmente a forma normal em que os sparverius capturam pássaros maiores em estado selvagem.

Outra forma de perseguição de pardais é em uma pradaria espessa e solitária. As pradarias artificiais formadas pelas máquinas agrícolas são ideais. Os bandos de pardais podem ser caçados desde o punho ou desde um poleiro elevado, preparado propositalmente pelo falcoeiro ou usando um poleiro natural. Se a quantidade de pardais for muito grande o sparverius normalmente tomará uma posição no solo e se aproximará, algumas vezes os pegará com suas garras e os levará ao solo.

Lançar um sparverius desde um automóvel tem duas vantagens: velocidade instantânea (3 a 18km por hora) e o elemento surpresa. Aumenta as possibilidades de localizar presas também e assim se obtém à máxima utilidade e eficácia. A média de caça é de 3-4 estorninhos, então se pode caçar e congelar a comida para os próximos dias. A melhor opção é caçar no domingo de manha em um parque aberto. A média de êxito é de a cada 4 voos se obtém uma captura, a mesma média de um búteo de cauda vermelha.

Se cada voo à estorninho obtiver sucesso, a caça pode ficar tediosa para o sparverius, e se as presas escaparem demais o falcão se desmotiva. A chave para o sucesso é antecipar as aparentes perdas de confiança do falcão. Se percebemos que ele está desconfiado se deve oferecer lances fáceis e curtos, e se ele estiver confiante demais deve-se procurar lances mais distantes ou difíceis.

Só caçar de manha cedo ou ao final da tarde. É perigoso caçar ao longo da estrada com transito ou muitos pedestres. Domingo de manhã é o dia ideal para os falcoeiros ocupados de hoje em dia. Também se pode caçar em zonas abertas como campus universitários, campos de futebol, etc.

Pallets

Os pallets são plataformas de madeira de formato quadrado que são usadas para empilhar cargas de transporte. São encontradas em áreas de carga de supermercados e centros comerciais, lojas agrícolas, etc, e são o refugio ideal para grupos de pardais.

Para caçar desta forma primeiro se introduz a ave no pallet e começa a rodear a estrutura, assim que um pardal se move o sparverius se lança sob ele. O sparverius inspeciona cada piso da pilha em busca de comida. Com a ajuda do falcoeiro para evitar que os pardais escapem, os pardais são caçados com facilidade.

Os sparverius mais mansos são mais adequados para esta técnica, porém os nervosos e mais fortes podem carregar a comida com este método de caça e, portanto se corre mais risco de que o falcão se esconda na pilha de pallets. Para os sparverius em que se pode confiar totalmente é um método de caça ideal para ser feito junto de cães e amigos.

Quando se pratica falcoaria em pallets de madeira empilhados usando um sparverius mais experiente, ele pode se lançar dentro como si fosse um furão e investigará capa lugar enquanto você espera e previne que os pardais escapem. Assim que ele matar um, aproxime-se suavemente do pallet e pegue o sparverius e sua presa.

Voo em copla

Em lances em copla a uma só presa, dois sparverius em perseguição são capazes de compensar o drible da presa com um novo ataque e normalmente a perseguição termina em êxito. Algumas das perseguições mais surpreendentes foram sobre pássaros que escapam a um dos sparverius na primeira investida e é capturado pelo outro em um segundo lance. Para qualquer dupla de falcoeiros que vivam na mesma cidade o voo em copla é algo que o autor recomenda totalmente. Em nenhum caso o autor teve problemas voando casais de sparverius causados por agressões, mas voltando pra casa sim, por isso é necessário tomar cuidados no transporte das aves.

NOTURNA

Consiste em voar o sparverius em locais onde os pardais dormem. Tanto os pardais quanto os estorninhos costumam pousar em dormitórios comunitários – um costume que é muito perturbador para os proprietários de armazéns e centros comerciais. Essas aglomerações se tornam ruidosas, sujas e os transformam em inquilinos indesejáveis. Por isso não é difícil conseguir autorização do proprietário para caçar dentro de seus galpões com um sparverius ou outros pequenos falcoes.

Com a ajuda de uma potente lanterna ou com a própria iluminação do local, os pardais e estorninhos podem ser caçados com os sparverius. Com um falcão maior ou com um macho de parabuteos também se pode caçar pombos nestes locais. É surpreendente fácil introduzir a caça noturna a um sparverius bem treinado. O primeiro requisito é que o falcão esteja em peso de caça para retornar rapidamente ao punho. Para fazer o sparverius voltar ao punho basta dirigir a luz da lanterna para sua luva que pode ou não ter uma picadinha.

Deve-se treinar o pássaro para que ele tenha uma resposta rápida e não demore no seu regresso. Fazendo noturna se evita a tendência que o sparverius tem de buscar a sua própria presa.

Cace pelo menos uma dúzia de pássaros vivos com métodos mais tradicionais antes de iniciar o treinamento da noturna. Escolha um local aberto com suficiente luz ou um armazém domestico. Com sorte os pardais pousaram perto de você. Localiza-se o estorninho e o ilumina com a lanterna e o sparverius se lançará sob a comida.

Em alguns casos o estorninho fugirá para outro local dentro do armazém e o sparverius irá atrás. Não se assuste em ver seu pássaro desaparecer na escuridão. Provavelmente ele não irá muito longe. Essas perseguições de cauda se evitam apagando a luz. Os primeiros lances deverão ser curtos e fáceis. Logo o sparverius entenderá onde está escondido o estorninho e seguirá o feixe de luz com muito interesse.

Altaneria

Outros falcoeiros tiveram êxito genuíno e repetido em treinar seus sparverius por altaneria. Quando há um grande número de pardais nos campos este pode ser o método mais espetacular de caçá-los com um sparverius.

“En la técnica de volar los cernícalos por altanería en vez de desde el puño o desde una percha: la clave, que nosotros hemos encontrado, es tratarlo como cualquier otro halcón” Mary Griswold p. 54

“Na técnica de voar sparverius por altaneira ao invés de voar desde o punho ou desde um poleiro: a chave, que nós encontramos, é trata-lo como qualquer outro falcão.” (tradução nossa)

Mary Griswold descreve assim o seu treinamento por altaneria: esperávamos que os sparverius caçassem a uma altura de voo de pelo menos 30 metros, usando numerosos escapes de pardais (lançados a mão, não amarrados) durante o processo de treinamento e não os oferecíamos recompensa quando eles posavam em qualquer lugar esperando comida fácil. Uma vez que o sparverius é dócil e digno de confiança (sob todos os pontos de vista) o voávamos com peso bem elevado. Ela cita aves e seus pesos:


As fêmeas parecem ser menos áreas que os machos, mas ambos se manterão em voo com um treinamento adequado. A presa mais comum era pardais e alguns caçaram rolinhas e codornas. As rolinhas não são a presa mais habitual, a não ser para os sparverius selvagens, mas os que ela treinou perdiam o interesse depois de chegarem ao solo segurando apenas penas.

O autor treinou dois sparverius niegos (tirados do ninho) para esperar no ar nos dias frescos e com um pouco de vento, de duas formas diferentes. Ambos os pássaros podiam levantar até 30 metros e permanecer durante vários minutos, ambos podiam bloquear ativamente e caçar pardais voando por baixo deles.

1) A ave atuava assim mediante lançamentos repetidos de estorninhos em campo aberto, método semelhante ao utilizado por falcões de maior tamanho.

2) A ave foi treinada mediante “stops (pausas) no lure e alentado de vez em quando para esperar voando mediante a técnica de esconder o lure entre passadas.

Presas:

Pardais: são as presas ideais porque eles tem resistência a abandonar as pradarias, e o sparverius os perseguirão vigorosamente. Os pardais proporcionam um dos melhores voos possíveis para o sparverius, um voo decidido e temerário como se pode esperar de um accipter (gavião ou açor). Inclusive pode se utilizar qualquer tipo de cão de caça para ajudar na sua caça, que o sparverius o aceitará muito bem.

Como fazer?

Troca com sparverius

Não é difícil tirar o sparverius da presa sem deixa-lo bravo. O primeiro objetivo é fixar a sua atenção em uma parte da presa de modo que ele não comece a come-la por qualquer parte. O autor normalmente tira a pele da cabeça e pescoço do estorninho morto e deixa o falcão comer nesta zona. Enquanto ele come nesta região, ele pega a presa com a palma da mão com a luva de forma que ele não veja o resto do corpo. Ele normalmente esconde todo o estorninho e o sparverius fica tranquilamente pousado sob a luva. É aí quando o autor oferece pequenas picadinhas de comida enquanto esconde o estorninho dentro da bolsa. Se for necessário dar mais alimento se pode dar uma pata de estorninho entre os dedos e retirar o restante dele enquanto o sparverius fica ocupado com seu roedero.

Levantar a presa

Para levantar pardais para os sparverius é importante a posição. Os sparverius não tem a aceleração explosiva de um pequeno accipter, por isso mesmo em lances próximos eles tem mais êxito com perseguições de cauda do que em rápidos alcances em pleno voo. Na maioria das situações é melhor levantar os pardais até o sparverius que estão pousados em um poleiro do que levanta-los de forma que os afastemos do sparverius. Idealmente os pardais deverão estar abaixo do poleiro do sparverius. Deve-se dar um pequeno grito para levantá-los, e assim eles levantarão voo e pousarão em um lugar afastado do falcoeiro. Este movimento é irresistível para o sparverius. A vantagem da sua posição facilitará um bloqueio direto e vertical .

Evitar Levar à mão (cobrir/esconder a presa)

Com a caça de pardais há uma grande oportunidade dos sparverius transportarem à presa e esconde-la. Deve-se iniciar o treinamento para evitar este vicio nas primeiras duas semanas de captura e continuar com este objetivo durante o treinamento com fiador.

Um sparverius que se mostre nervoso e não deixa que o falcoeiro se aproxime de seu poleiro tem muitas possibilidades de manter o vicio de levar a presa com os pardais. O primeiro passo para corrigir este mau costume é fazer com que o sparverius fique tranquilo no seu poleiro enquanto o falcoeiro perambula ao seu redor.

Para a maioria dos sparverius passageiros e não imprintados as picadinhas de comida são a chave do treinamento. Pequenas quantidades de comida oferecidas com consistência e repetidamente, no lure, exercícios com escapes e caça real farão com que o sparverius se sinta confiante com a proximidade do falcoeiro. A associação com o assobio particular ou o som de um apito com a ingestão de cada picadinha de alimento logo incitara ao sparverius a olhar o falcoeiro com interesse quando chamado. Este som quando o sparverius está levando a presa pode dissuadi-lo de sua tentativa centrando a sua atenção naquele momento no falcoeiro, de modo que ele vá abandonando esta tendência.

Quando o sparverius está sobre o lure e fica de frente para o falcoeiro você poderá introduzir ele na caça de pardais, aqueles que protegem o lure ou escapes precisam de mais repetições no treinamento ou uma pequena redução de peso, ou ambas.

Como fazer a troca com sparverius nervosos

Deixe o sparverius tirar algumas plumas e começar a comer. Uma vez que ele tenha tirado a pele se aproxime de forma tranquila e indireta. Se o sparverius parar de comer e te olhar, comece a falar suavemente. Isso normalmente relaxará a tensão e o incentivará a continuar comendo. Quando estiver há um metro do sparverius, agache devagar e comece a assobiar ou dê uma apitada suave enquanto oferece a ele picadinhas de comida até que consiga que ele coma na sua luva. O sparverius aprenderá gradualmente e cada vez você melhorará este procedimento. Porém é conveniente ter precaução e seguir a mesma rotina para todas as presas capturadas.

Exercício e condicionamento

A diferença dos sparverius selvagens e dos mantidos em cativeiro é a vitalidade, já que os lances feitos na sua grande maioria são curtos. Com o tempo a combinação do controle de peso com lances curtos podem resultar em uma perda de tônus muscular e da paciência e entusiasmo necessário para realizar lances mais longos.

Para evitar esta situação é muito útil os treinos dentro de casa. Há várias formas de exercitar o sparverius:

- Saltos verticais: coloque o sparverius no chão nos seus pés e o chame ao punho repetidas vezes, o elevando o máximo possível. Ofereça a ele picadinhas de forma aleatória a cada três ou seis saltos realizados. As primeiras vezes que fizer isso com o sparverius o deixará rapidamente exausto. Normalmente depois de quinze saltos já começa a mostrar uma respiração acelerada, porém depois de dez dias já se consegue dobrar a quantidade de saltos. Assim que o falcão conseguir realizar setenta ou oitenta saltos sem mostrar fadiga, ele irá superar a resistência e preguiça e realizará saltos mais rápidos e longos. Os sparverius treinados assim caçarão mais pássaros e em circunstâncias de maior dificuldade.

- uso da pipa: se usa uma pipa de asa delta com uma envergadura de 2,7 metros e 1,80 metros de corda. Uns clips tipo crocodilo servem para segurar a carne, que consiste na parte traseira de um rato, situada a dez pés por baixo da pipa. A carne deve estar amarrada de forma que o sparverius possa desprender ela facilmente quando a alcance, porém suficientemente segura para que não se soltar da pipa durante o voo. Uma pessoa suspende a pipa enquanto a outra solta um pouco de corda, quanto mais forte o vento menos corda é necessária ser solta para que comece a voar. Neste momento se solta a pipa e a outra pessoa começa a correr segurando a corda. O sparverius voará até a altura que a pipa estiver e arrancará o pedaço de carne da corda. Em algumas ocasiões o exercício requer dez minutos já que o sparverius fica dando voltas em círculos sobre a cabeça dos falcoeiros até alcançar a carne. Se pode avistar o sparverius a 200 metros no céu perseguindo a pipa. ( De acordo com a experiência de Bridget Bradshaw no seu artículo na American Falconer´s association newsletter Hawk Chalt, citado pelo autor)

Voo em diferentes estações do ano

Por sorte a mudança de estações não afeta drasticamente a caça com o sparverius. De fato, a primavera e a primeira parte do verão são épocas particularmente boas para a caça de estorninhos e pardais. Os dias mais longos e quentes levam os pardais e estorninhos à época da reprodução. Nesta época, devido às suas limitações reprodutivas, os pequenos pássaros se alimentam em localizações expostas, o que os tornam presas perfeitas para a forma de caçar com o sparverius. É possível encontrar pequenos grupos de pardais se alimentando em verdes pradarias primaverais.

Depois do inverno quando os pássaros dispõem da sua melhor plumagem é necessário realizar voos mais longos, e os sparverius acharão as aves na primavera mais fáceis de caçar. Esta é uma boa razão para aproveitar estas circunstâncias: podemos nos prover de comida extra para alimentar o sparverius na época da muda, ou se pode usar os pássaros vivos como escape.

Os sparverius do autor costumam mudar em Maio ou Junho e terminam a muda no final de Setembro. Isto proporciona uma seção de caça longa, se o sparverius não é voado durante a muda. Porém ele pode ser voado com êxito no verão. A sua prática é voá-los durante a muda, mas com um reduzido calendário de caça: nos dias que não vão caçar o autor os mantém com três ou quatro gramas acima de seu peso de caça (um peso considerável para os sparverius) e os baixa para o seu peso de caça habitual duas ou três vezes por semana para caçar pela manha cedo ou ao final da tarde. O resto dos dias ele os exercita com saltos ao punho enquanto dá a sua comida.

Os saltos ao punho para o autor é um modo ideal de manter o sparverius manso e condicionado durante o verão sem perdas significativas na qualidade da nova plumagem. O exercício regular e a comida fresca acrescentam benefícios a este regime fora da temporada de caça.

Se você não gosta de caçar no verão, lembre-se de que o sparverius realiza a muda mais rapidamente quando não o voamos e que voltará com dificuldades a suas condições de caça no outono.

Doenças e acidentes

Todos os predadores correm o risco de sofrer danos quando perseguem e matam a um animal. Os sparverius treinados a caçar na presença do falcoeiro reduzem seus riscos. De acordo com os dados do autor, os sparverius treinados e mantidos em cativeiro tem uma mortalidade de 7,7% em comparação com a taxa de 67% de mortalidade estimada para o primeiro ano de vida de sparverius selvagens.

Contrariamente ao que podem pensar, os sparverius são bem resistentes. Os pássaros do autor e muitos outros sobreviveram a numerosos contratempos inesperados, assim como a outras lamentáveis situações evitáveis. Milhares de horas acumuladas de caça demonstram que o sparverius é suficientemente robusto para superar as condições que o mundo os oferece.

Doenças mais comuns nos sparverius

Abrasões nas patas

As abrasões repetidas de tarso e dedos produzidas pelos braceletes ou jesses podem ulcerar a parte da pele afetada e causar complicações sérias. As escamas da pele podem se separar ou se desgastar, deixando debaixo a pele fina desprotegida e vulnerável a danos maiores. Podem-se produzir inchaços e infecções que podem terminar em necrose e em caso extremo até perda de dedos. Devemos examinar cuidadosamente qualquer pequena zona avermelhada ou com pus e trata-la imediatamente.

Prevenir é a solução. As tarseiras e jesses devem ser suaves, confeccionadas em couro fino, bem engraxado com azeite de oliva ou outra substância, e as bordas arredondadas. Manter um sparverius recém capturado no poleiro sem capuz poderá causar danos em suas patas causadas pelas debatidas, por isso é melhor usar uma trela curta e um capuz cômodo e bem fixado, ou melhor ainda uma boa caixa para falcões para evitar abrasões nas patas nos primeiros dias de treinamento.

Calosidades

Podem ser causadas por debatidas constantes. A escassa ou má superfície do poleiro pode começar a inchar a almofadinha central da pata. Estes pequenos inchaços junto com uma dieta de pouca qualidade estão relacionados com a formação de calosidades. Este tipo de calosidade tende a crescer lentamente na almofadinha de uma ou das duas patas e podem inchar com fluido e infeccionar. Se percebermos a tempo, podem desaparecer mediante a uma troca de seu habitat melhorando as condições de seu poleiro. Si não tratamos podem levar sua ave a óbito.

O desenho do alojamento é fácil e completamente efetivo para prevenir este problema: uma dieta de alta qualidade, uma observação rotineira as patas e uso de grama artificial nas superfícies destinadas a pouso no poleiro eliminarão os problemas de calosidades.

Colisões

As colisões são as principais causas de óbito de sparverius. Eles são vulneráveis às janelas e aos carros. Sob nenhuma circunstância deve-se voar sparverius nas proximidades de janelas, carros ou valas ou qualquer outra obstrução. Toda colisão pode ser potencialmente fatal para um pequeno sparverius.

Comida fermentada

Combinação mortal: Baixo peso + alimentação em grande quantidade de uma só vez= fermentação da comida que causa morte

É uma condição séria onde a comida se infecta com bactérias e fermenta no interior do seu trato digestivo. Pode matar o pássaro e é provavelmente a principal causa de morte dos pequenos falcões.

Ela não acontece de forma aleatória, normalmente acontece assim: o pássaro está com baixo peso e o alimentamos em demasia em uma só dose, provocando uma combinação fatal.

Nunca se deve dar como recompensa um bom pedaço de comida, como se daria a outras aves depois de um bom lance. A maior quantidade de comida que um sparverius pode receber em qualquer situação é aquela quantidade calculada para um período de 22 horas. Para um sparverius em peso de caça seria algo ao redor de 12 a 15 g.

Em casos graves é necessário procurar um veterinário para que ele possa tirar a comida do seu trato digestivo e administrar antibióticos orais. Nos casos menos severos, ou como possíveis medidas preventivas no caso de alimentação acidental, deve-se repetidamente com a ponta dos dedos oferecer água à ave e mantê-lo acordado durante várias horas da noite para acelerar a sua digestão.

Predação

Por seu tamanho pequeno são vulneráveis a uma grande quantidade de predadores de maior tamanho, não apenas de aves como de cães e gatos. Evitar voar ao amanhecer ou ao entardecer ou em outras ocasiões de pouca visibilidade, assim como em regiões arborizadas. O falcoeiro deve sempre observar o sparverius com sua presa e nunca deixa-lo só com ela. A melhor precaução é escolher lances curtos quando caçamos em áreas reduzidas e recolher o sparverius depois de seu voo o mais rápido possível.

Coccidiosis

Esta doença é causada por um protozoário e se contrai ao ingerir presas infectadas. A ave também pode se reinfectar ao ter contato com suas próprias fezes. Sintomas: perdas crescentes de peso diariamente (enquanto a ave mantém um bom apetite), fatiga geral depois de perseguir uma presa e finalmente a presença de manchas de cor vermelho púrpuro nos excrementos (hemorragia). Estes pontos são pequenas gotas de sangue que emana do tecido epitelial do irritado trato digestivo. Se trata com antibiótico adequado recomendado pelo veterinário e com a troca frequente do papel que fica embaixo do poleiro para reduzir a reinfecção.

Precauções em climas frios

Incrementar a quantidade de comida em condições de temperaturas extremamente baixas, e o quanto incrementar depende da resposta do metabolismo da ave. O falcoeiro deverá ter sempre o costume de pesar sua ave com frequência, mantê-lo em ambiente fechado quando ela não estiver voando e oferecer o alimento da melhor qualidade possível. Este hábito é de especial importância para voar um sparverius em clima frio.

Penas danificadas/quebradas

Um poleiro adequado combinado com uma trela suficientemente comprida para evitar que a cauda fique presa durante as debatidas é suficiente para evitar a maioria da quebra das penas. Os sparverius tem penas com ráquis elásticos e raramente sofrem rupturas. As torções ocasionais das penas podem ser reparados mediante imersão em água quente durante alguns minutos adquirindo maior flexibilidade e ajustando elas na sua posição correta. Se o ráquis dobrar demasiadamente até o ponto de chegar a se fraturar, uma gotinha de superbond pode servir para manter a pena no seu lugar até que ela se reponha naturalmente pela muda.

Pode-se usar agulhas metálicas para reparar as rupturas completas. O método mais confiável para estes pequenos falcões é o imping (eje com eje) mediante o qual a pena quebrada é substituída totalmente por outra mediante um enxerto de uma nova pena.

Perdas

De todos os pequenos falcões usados na falcoaria provavelmente os sparverius são os que se perdem menos frequentemente. Se falham na captura normalmente os sparverius pousam em um poste ou outro local de pouso próximo e aguardam serem chamados. Seu curto ramo de manobra e a sua natureza atenta do sparverius treinado os tornam difíceis de serem perdidos em circunstancias normais. Para evitar perdas o sparverius deve ser sempre voado em peso de caça e perfeitamente condicionado à rápida resposta ao lure.

Sinais de saúde

Plumagem

Plumagem suave, se banham assiduamente.

Olhos Redondos e alertas durante o dia, normalmente observando qualquer elemento ao seu redor que chame a sua atenção. Se estão doentes mostram olhos ovalados e com aparência de estarem meio fechados.

Patas, tarsos e cera

As partes expostas de sua pele deve ter cor alaranjada até amarelo suave. Um tom cinza pálido ou azul apagado na pele das patas é sinal de má saúde e provavelmente devido a uma dieta de qualidade escassa. Neste caso se deve oferecer passarinhos completos ou pequenos roedores que logo voltarão a mostrar a cor amarela ou alaranjada de um sparverius saudável. Inspecione regularmente as patas para detectar lesões e calosidades.

Excrementos

Um sparverius saudável produzirá uma variedade de tipos de excrementos ao longo do dia. Si tiver sido bem alimentado na noite anterior, no dia seguinte pela manhã o primeiro excremento será grande, meio aquoso e com os componentes fecais bem formados. Ao passar das horas os excrementos são cada vez menores e são escuros rodeados de urato branco. Imediatamente depois da caça os excrementos podem apresentar coloração verde, se tiver comido carne fresca as fezes terão consistência espumosa de cor marrom escura.

A excreção frequente significa que seu sistema digestivo está funcionando bem. Um sintoma de que ele sofre de comida fermentada é quando ele não defeca depois de uma hora de ter ingerido uma boa porção de comida. Os excrementos demasiadamente grandes e negros, com frequência acompanhados de forte cheiro, são sintomas de que ele tem algum transtorno digestivo, possivelmente uma infecção, toxina ou comida em mal estado.

As egagrópilas

Um sparverius saudável e alimentado de pequenos animais completos, incluindo ossos e penas, eliminará uma pequena bolota a cada manhã. Essa bolota deve ser redonda e compacta e sem cheiro intenso. Se a ave não expele sua plumada diariamente, isto pode ser sinal de uma comida impactante que persiste por mais de dois dias. Existe a possibilidade de que a ave tenha ingerido um elemento não desejado (plástico, couro, papel, etc). e ele pode bloquear a digestão e terminar em séria complicação se não expelido.

Aspecto externo de boa saúde

O sparverius saudável deve pousar com as penas esponjadas, em um aspecto quase redondo. Nos falcões de maior tamanho isso pode indicar uma doença séria, mas para um sparverius isto é sinal de que está são e cómodo em todos os sentidos. Ele descansará no seu poleiro sobre apenas uma pata, sem apresentar preferencia por nenhuma. Suas asas ficarão fechadas sob o corpo com suas pontas cruzadas perto do centro da cauda. Ocasionalmente podem esticar uma de suas asas as deixando cair por baixo do poleiro até ficar totalmente estendida.

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