O projeto Corujando por aí

O sorriso de uma criança, os olhos que brilham e a alegria que emanam... é difícil descrever o que elas sentem ao chegarem perto pela primeira vez de um animal silvestre, ao poderem tocá-lo com muito cuidado, ao realizarem um sonho. Elas perguntam, e muito, sobre aquele animal, querem saber o nome, o que comem, onde vivem, quantos anos tem. É uma avalanche de perguntas enquanto seus olhinhos ficam admirando aquele ser que agora começa a ser verdadeiramente admirado e querido. Se você prestar muita atenção você consegue perceber ali uma energia diferente, é a energia da empatia que nasce e começa a se intensificar. Nada no mundo é mais forte do que o amor e a empatia, são por estas duas forças que lutamos diariamente contra qualquer obstáculo em nossas vidas, são por elas que vivemos. 

Criar empatia pode ser um processo lento, mas nas crianças é muito rápido, algumas oferecem um pouco de resistência pelo medo e preconceitos, mas ao ver a relação entre o animal e seu tutor, ao verem suas trocas de carinho e olhares de compreensão, elas se rendem.

Eu venho repetindo esta frase há muitos anos, desde que me especializei em jornalismo e comecei o meu trabalho voluntário na educação ambiental, porque eu realmente acredito nela. É impossível ter um animal silvestre, qualquer que seja a espécie, e não se preocupar com a realidade e sobrevivência desta espécie em vida livre, porque não há como amar tanto um e menosprezar o outro. Assim que chega aos seus cuidados um ser destes, você se torna seu defensor eterno, e faz o que puder para garantir que aquela espécie sobreviva aos devaneios da raça humana.

 

Lembro que quando a Sophia chegou eu me apaixonei tanto por esta coruja, dois anos de estudo e preparação para aquele momento mágico, para criar um laço com um animal tão inteligente e de temperamento forte, tantos sacrifícios pessoais e uma total mudança de rotina e de visão de mundo. O contato com qualquer animal te transforma, mas um animal silvestre consegue elevar esta transformação, pois nos reconecta com a natureza, hoje cada vez mais distante de nós que vivemos em uma selva de pedra.

 

Vivemos dias difíceis que esperamos com muita fé que estejam chegando ao fim. É com muita esperança que aguardamos o próximo ano e com ele uma grande mudança nas leis e incentivos. O que eu e todos os amigos da educação ambiental queremos é poder continuar dividindo amor junto com o conhecimento, é poder compartilhar pelo menos um pouco do nosso tempo para levar nossas aves, corujas, cobras, etc até aqueles que nunca teriam esta oportunidade. É mostrar que todas as espécies merecem amor e proteção, e que conviver com elas diariamente traz a tona o melhor de nós. Por isso esperaremos sempre que dias melhores cheguem, com a certeza de que o universo irá sempre ajudar aqueles que verdadeiramente querem ajudar a construir um mundo melhor, para nós e para a natureza.

 

E termino aqui com as palavras de quem sempre nos aconselhava a sermos como a fênix, renascendo das cinzas:

 

"A felicidade pode ser encontrada mesmo nas horas mais difíceis, se você lembrar de acender a luz." Alvo Dumbledore

“Nós só amamos o que conhecemos,

e só protegemos o que amamos”. 

Kátia Boroni
Kátia Boroni

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